9 e 10 de Fevereiro Casino Estoril e Coliseu Porto

Hora: 21h30/22h00
Promotor: Vibes & Beats
Preço: 40 a 75 €
Idade: M/06

Já tocaram com crianças, com a Guarda Nacional Republicana e com muitos músicos de excelência. No próximo dia 9 de fevereiro no Casino Estoril, e dia 11 no Coliseu Porto, voltam a chamar ao palco Isabel Silvestre, Javier Andreu e Rita Redshoes para uma visita única ao baú das memórias. É numa noite de festa e na companhia dos amigos que os GNR encerrarão as celebrações dos 35 anos de carreira.

Texto: Sofia Canelas de Castro

Para o encerramento desta celebração, “havia o compromisso de nos voltarmos todos a juntar”: o vocalista dos GNR não se refere aos elementos da banda mas sim aos convidados especiais, Isabel Silvestre, Javier Andreu e Rita Redshoes, que se juntam no espetáculo de encerramento da Tour dos 35 Anos.

“Vai ser especial, seguramente; a nossa última vez no Casino foi surpreendentemente quente”, recorda Reininho, que espera que o público se levante das mesas e cadeiras do salão Preto & Prata para dançar ao som de ‘Vídeo Maria’. “Espero mesmo que também seja um concerto dançante… mas não será um espetáculo indecente, nem pornográfico, apesar de se dirigir a outra geração”, brinca o vocalista a propósito dos clientes habituais do Casino. A música essa, é transversal a todas as gerações. Hoje, são os graúdos, quarentões, aos pulos na plateia, a recordar momentos da década de oitenta, a par de miúdos, teenagers, que também já sabem muitos temas de cor.

O Grupo Novo Rock, a banda GNR, começou em 1981, no Porto, com Tóli César Machado, Vítor Rua e Alexandre Soares, que deu voz ao hit ‘Portugal na CEE’, um daqueles temas que ficaram no ouvido para sempre. Só um ano depois entraria em cena Rui Reininho, a substituir Alexandre Soares como vocalista da banda e nada voltaria a ser como dantes.

O que menos gente sabe é que o icónico vocalista da banda portuense só entrou para os quadros dos GNR depois de os ter entrevistado para um jornal local. “Era um pasquim muito simpático (de que não se recorda o nome), com sede na Ribeira, e que me dava a liberdade para entrevistar quem queria. E lá fui”, lembra o vocalista. Não lhe passaria pela cabeça, então, integrar a banda mas o convite surgiu. Reininho já então tinha passado por outros grupos e conhecia os GNR, que também o conheciam a ele. “Já me tinham espreitado nos ensaios. Ainda comecei pela guitarra mas eu tocava muito mal e resolveram apostar na minha voz melodiosa”, ironiza.

Este e outros episódios estão retratados na recente biografia dos GNR, onde se contam tantas e tantas estórias do grupo que há mais de três décadas se mantém coeso no trio principal – Reininho, Tóli César Machado e Jorge Romão. ‘Onde nem a beladona cresce’ recupera o refrão da música ‘Ao Soldado Desconhecido’ e relembra o tom sempre provocatório dos GNR na flor de grande toxicidade. E se Reininho gosta de flores?! “Isto vai soar um bocadinho mórbido, mas gosto sobretudo daquelas flores que se encontram nos cemitérios, como as violetas. As preferidas da minha mãe, como aquela música da Sara Montiel, ‘La Violetera’”, conta o vocalista. “Um dia, eu e um grupo de amigos até fomos buscar uma daquelas coroas de flores de cemitério, com uma faixa a dizer ‘Eterna Saudade’, para levar para o casamento de uns amigos.”

Os GNR são um caso sério de longevidade e de sucesso. Um cliché, talvez, para reafirmar outro. Os GNR confundem-se com o rock português. Por isso, para recordar uma carreira tão recheada, a banda decidiu chamar ao palco três amigos de longa data. Nas palavras do líder da banda, Isabel Silvestre não podia faltar por ser “a fada madrinha” – vai cantar, claro, a ‘Pronúncia do Norte’; Javier Andreu, o vocalista dos La Frontera, “nuestro hermano”, traz ao palco ‘Sangue Oculto’ e Rita Redshoes, “a nossa mais nova”, canta ‘Dançar Sós’, ela que tem a idade da banda. “E permite que não dancemos sós”, sublinha Reininho.

Pelo meio, há surpresas. Umas mais esperadas do que outras. O single ‘Arranca Corações’, mais recente, estará no alinhamento e, “quem sabe, ainda haja tempo para outros temas inéditos!?”

Três décadas e meia depois, uma pergunta é inevitável: Então e nunca pensaram acabar com tudo? “Pois houve anos difíceis e momentos em que às vezes pensámos que teríamos de fazer outras coisas”, admite Reininho. Por exemplo em meados dos anos oitenta, “na altura da primeira intervenção do FMI (em 1984) esse foi um ano desastroso, com poucos espetáculos, poucas vendas”. Mas os GNR sobreviveram – e bem – e continuam de olhos postos no futuro. “Os GNR nunca param. Nunca estivemos mais de três meses sem fazer espetáculos”.

Aos 61 anos Rui Reininho acha normal chegar aos 73 a trabalhar em cima de um palco como Mick Jagger. Mas só isso – adverte – “Com essa idade não me estou a ver a ser pai como ele. Avô… talvez!”

O MEU MP3
As escolhas que tocam no MP3 de Rui Reininho.