18 de Março Campo Pequeno - Lisboa

Hora: 21:30
Promotor: Remember Minds, Lda
Preço: 25,00€ a 40,00€
Idade: M/6

‘Cavalo de Corrida’ e ‘Rua do Carmo’ acompanhados por uma orquestra sinfónica. Acredita?  Acredite.

Vai ser assim no Campo Pequeno, em Lisboa, dia 18 de março, e no Multiusos de Guimarães a 1 de abril. Duas datas mágicas para os seguidores apaixonados dos UHF. As canções de sempre da mítica banda portuguesa estão ainda “mais coloridas”, garante António Manuel Ribeiro.

Texto: Sofia Canelas de Castro

Créditos Fotos: Rui M. Leal

Porque “a música não tem fronteiras e não vive de guetos”, os UHF vão apresentar-se em dois concertos sinfónicos que reinventam as canções de sempre. Sinfónicos? Sim, ‘UHF Sinfónico’ é o nome do espetáculo que a banda da Margem Sul, liderada por António Manuel Ribeiro, vai servir em dose dupla, em Lisboa e em Guimarães. “Com arranjos para orquestra, acrescentámos dinâmica ao nosso som”, sublinha o vocalista.

Em palco, a convite do maestro Cristiano Silva, estão também os elementos da ONj – Orquestra Nacional de Jovens, que vão dar novo ritmo e melodia a temas tão famosos como ‘Cavalo de Corrida’, ‘Rua do Carmo’ ou ‘Menina que estás à Janela’. O rock pode ter várias formas e estes espetáculos prometem ser disso prova.

São 15 álbuns recheados de sucessos em quase 40 anos de carreira que muitos portugueses conhecem de cor. E é mesmo esse o melhor público para um artista: “Todos os que conhecem as canções e participam no espetáculo. Válido para quarentões e mais jovens, há de tudo na plateia”.

E não é cansativo para um músico ser ‘obrigado’ a estar sempre a revisitar êxitos de carreira? “Às vezes é, mas depois vimos como o público se diverte e pede mais… Nós somos os mesmos, mas as plateias mudam todas as noites e entramos na dança. A música é a harmonia que tudo modifica”, justiça o vocalista dos UHF.

São as mesmas músicas revisitada com novas sonoridades e arranjos que fazem destes temas outros momentos únicos. “Diria que as músicas cresceram, tornaram-se maiores e mais coloridas. Há momentos assim, em que tudo o que pensávamos ter feito avança no sentido de um novo horizonte”, acrescenta António Manuel Ribeiro. Do ‘velhinho horizonte’ dos tempos da formação da banda, volta agora a palco, para dividir algumas ‘sinfonias’, Renato Gomes, guitarrista fundador dos UHF. Pode haver mais surpresas nos concertos mas, para já, fica o suspense no ar…

Em suspense estão os fãs, à espera de novo disco. Mas “já há novas músicas gravadas”, ainda sem data para chegarem às lojas. Até porque “escrevo demais para aquilo que costumo gravar. Penso que é um longo discurso inacabado, às vezes interrompido porque me apetece fazer outras coisas, e de seguida retomado”, conta ainda António Manuel Ribeiro.

Hoje, já não sente o “terror de camarim, antes de entrar em palco, dos tempos de maçarico” e garante ser “tudo normal. Sinto-me uma partícula deste equilíbrio que mantém tudo a funcionar”. Equilibrada também é a relação do músico com o estúdio e com os palcos. “Os dois planos complementam-se. Se o ‘ao vivo’ permite ver até onde chega uma canção, o estúdio é o laboratório de todas as possibilidades”.

Fora do palco

António Ribeiro podia ter sido político – “estive quase, quase” –; advogado – “que nunca quis ser” – ou escritor, que vai “partilhando com a música”. Namorado da autarca de Setúbal, Maria das Dores Meira, o vocalista dos UHF fica-se pela música e deixou de lado as ‘politiquices’. “Cada um tem a sua vida. Respeito muito a sua dinâmica e entrega a uma cidade – Setúbal – que vibra como nunca sob as suas ideias. A minha intervenção faz-se pela arte. Já fiz política mas dificilmente voltaria”, garante. Ainda assim, não rejeita a sua responsabilidade cívica que se expressa na sua ligação à Frente Cívica, fundada com Paulo de Morais. “É mais uma plataforma de avaliação de casos concretos que tolhem a vida da nação e consequente discussão sem o peso da disciplina e obediência partidária”, concretiza.

MP3
As escolhas que tocam no MP3 de António Manuel Ribeiro.