17 de Março Pavilhão Multiusos Expotorres (Torres Vedras)

Hora: 22:00
Promotor: Square Sports, Lda
Preço: 17,00€
Idade: M/12

“O presidente Marcelo pode nem saber cantar, mas gostava de fazer um dueto com ele”

“Nunca subimos ao palco sem antes fazermos uma oração todos juntos”

Héber Marques, vocalista dos HMB, desvenda alguns segredos da banda que atua no próximo dia 17 de março no Pavilhão Expotorres, em Torres Vedras. Próximo projeto? Desafiar o presidente da República para um dueto. Para pôr as pessoas com um sorriso na cara – essa é a missão dos HMB.

Texto: Sofia Canelas de Castro

Tudo começou com música evangélica. Qual é a tua relação com Deus?

Os meus pais são cristãos protestantes – evangélicos – e vivi toda a minha vida em Cascais, rodeado de música cristã e a frequentar a Igreja Assembleia de Deus de Cascais. Até o meu primeiro contacto com um instrumento de música, a bateria, foi na escola de música da igreja. A partir daí interessei-me pela guitarra e comecei a compor.

Para ti, a música e Deus estão por isso sempre interligados: a música é uma forma de chegar mais perto de Deus?

É uma forma de prestar tributo a Deus, de me lembrar dele nas canções e de o honrar. E é uma maneira de abençoarmos as pessoas que nos ouvem e de nos ligarmos. A música tem esse poder: de agregar as pessoas e é por isso que também é muito usada em comunidades cristãs.

No entanto as letras das músicas dos HMB não são religiosas…

Não, apesar de nos inspirarmos em tudo e eu, em particular, que escrevo, inspirar-me muito na minha vida cristã. Mas não têm um cunho religioso.

Como foi então a passagem da música evangélica para os HMB?

Deus deu-me talento para fazer algo que é transversal. Não me disse: ‘Olha, toma o talento e agora vais fazer só músicas para mim’. Não, isso seria pobre. Eu sempre compus músicas de igreja e outras que não tinham nada a ver. Comecei a compor aos 17 anos [tem 32] e fui progredindo… Entretanto fui desafiado pelo Joel Silva [o baterista dos HMB], que tocava comigo no projeto evangélico no qual editei três discos cristãos – o projeto Héber Marques – para começar a fazer outras coisas. Ele achava que eu tinha músicas na gaveta que eram muito boas mas, como as fazia para mim, eu nem tinha bem a noção. Então começámos a ensaiar, ao início só como desporto, mas depois tudo foi ganhando forma e começámos a entrar em concursos municipais… e a ganhar todos (risos).

HMB inspira-se então no nome do vocalista Héber Marques Band. 

Foi por necessidade, tínhamos que dar um nome à banda porque tínhamos um concerto marcado num bar e o dono perguntava-nos pelo nome e nós não tínhamos. Na altura, ouvíamos muito The Matthew Davis Band e então deu-nos para adaptar o nome das minhas siglas: HMB – Héber Marques Band.

Nunca te apeteceu lançar mesmo a solo?

Como tenho a música que faço na igreja, que é a solo… Mas não vou mentir, já pensei nisso mas os HMB fazem-me todo o sentido com estas pessoas da banda. A energia que divido com eles em palco é muito especial, é única. Não gostava de perder isso. Estamos juntos porque faz sentido.

Têm uma sonoridade que mistura soul, gospel, rythm & blues. Sentem que têm espaço no meio musical português ou o meio musical ainda vive muito do rock e da pop?

Quando a música é boa, há espaço. Há a música boa, a má e a de sucesso. E a maior parte da música boa, eventualmente, tem como fazer sucesso. Há música muito boa mas depois é tão erudita, tão trabalhada que as mentes mais simples ou que não estudaram música não conseguem alcançar. Tem é de ser acessível às pessoas.

Também por isso cantam mais em português…

Inicialmente, cantávamos também em inglês. Mas, apesar de gostar das melodias, não ficava satisfeito com as letras, nem gostava muito de me ouvir cantar em inglês. E era um sentimento comum a toda a banda. Então comecei a escrever em português e fiz o ‘Meu Tamanho querer’, que foi a primeira música em português no primeiro disco homónimo [‘HMB’].

E como vai ser o concerto em Torres Vedras?

Vamos fazer um espetáculo especial e arriscar algumas músicas novas.

São só rapazes na banda. Foi por isso que surgiu a vontade de fazer o dueto com uma voz feminina, a Carminho, em ‘O Amor é Assim’?

Esta canção com a Carminho esteve para entrar no segundo CD, o ‘Sente’ [2014], mas nunca encontrámos a voz certa. Mais tarde, viemos a conhecer a Carminho, gerou-se uma grande empatia, e lançámos-lhe o desafio. Em estúdio, quando o técnico pôs o play, vi logo: ‘Está aqui uma coisa muito especial’.

Com que outro artista/banda – nacional e/ou internacional – gostariam de fazer um dueto?

O próximo disco, que se chama ‘Mais’, sai a 10 de fevereiro e só temos duas parcerias: com a Carminho e com um rapper brasileiro, o Emicida.

E se fosse na política ou sociedade civil, quem desafiariam a cantar convosco?

Com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Achas que o nosso Presidente da República sabe cantar?

Ele pode até nem saber cantar mas gostávamos muito de fazer alguma coisa com ele.

Que tipo de música lhe proporiam?

Tinha de ser algo sobre os tempos de hoje e a sociedade atual. A nossa música é muito boa vibe e tinha de ser algo muito positivo, para pôr um sorriso na cara das pessoas.

Há muitos concursos de televisão para novos talentos de música. São meios válidos para entrar no mundo artístico ou não passam de entretenimento que não leva a lado nenhum?

A maior parte são mesmo só entretenimento. É só vermos o percurso de cantores que passaram por esses concursos: quantos conseguiram mesmo fazer carreira?! Consigo até nomeá-los: Sara Tavares, João Pedro Pais, no ‘Chuva de Estrelas’, Diogo Piçarra, nos ‘Ídolos’…

Consegue viver-se só da música?

Consegue-se. Trabalha-se muito e a família às vezes sai lesada mas consegue-se viver da música de forma honrosa. É preciso é lutar muito, que ninguém se iluda.

E antes de subir ao palco, há algum ritual? Rezam?

Sim, nunca subimos ao palco sem antes fazermos uma pequena oração todos juntos. Temos um mantra, uma canção que eu criei – ‘Até aqui nos ajudou, Senhor’ [E canta].