22 de Abril Coliseu Porto

Hora: 21:30
Promotor: Everything Is New
Preço: 20,00 a 35,00€
Idade: M/06

Há 20 anos, em Lisboa, venceu a ‘Grande Noite do Fado’ e é agora um dos nomes mais fortes desta “música magistral que move emoções”. Raquel Tavares atua nos Coliseus em abril e cumpre um sonho antigo. Esteve para bater com a porta e deixar a vida artística mas voltou. Tal como o seu ‘(Meu) Amor de Longe’, o grande êxito do último álbum. A não perder, dia 22 de abril, no Coliseu Porto.

Texto: Sofia Canelas de Castro

Quando começou a cantar nos palcos nacionais, Raquel Tavares “nem sabia muito bem para que servia o microfone”. O desabafo não é despropositado, considerando que a jovem fadista tinha tradição desde menina a cantar em casas de fados e, aqui, servia-se ‘apenas’ do poder da sua voz. Aos 12 anos, vencera já o grande concurso ‘Grande Noite do Fado’, não sem antes se habituar “àquele ambiente acolhedor, de emoções à flor da pele”, que eram os espaços mais intimistas como o Café Luso e a Ferreira, casas onde o fado encantava portugueses e estrangeiros.

Em abril, precisamente 20 anos depois dessa mítica noite de 1997, volta a pisar os palcos dos Coliseus em nome próprio. Já chorou muito nos Coliseus, a ouvir os outros, e agora é a vez dela. De cantar. E de emocionar o público. “Tenho uma relação de grande proximidade e o meu objetivo maior de carreira era cantar nestas salas. Sinto uma enorme ansiedade, alegria e gratidão”, admite.

Já há duas décadas, “nem tinha noção do que era o peso de cantar nos Coliseus”. Queria ser jornalista – “repórter de guerra”, mais precisamente – mas a vida “troca-nos as voltas” e a carreira artística tornou-se inevitável. “Acredito que temos de aceitar o que a vida nos dá”.

A vida tem-lhe dado oportunidades várias. Antes do primeiro álbum, ‘Bairro’ (2008), estreou-se na revista, anos depois a televisão chamou-a para dançar nos programas ‘Dança Comigo’ (RTP) e ‘Dança com as Estrelas’ (TVI) ou no ‘The Voice Kids’ (RTP). “A dança é o meu calcanhar de Aquiles”, confessa. “Se o que eu queria ser, enquanto pessoa, era jornalista, a dança sempre foi o meu sonho”.

Em palco, dança de um lado ao outro e também põe o público a mexer com o seu fado. Em especial, ‘Meu Amor de Longe’, o grande tema do seu último álbum ‘Raquel’ (2016), tornou-se viral e contagiou o país com um refrão alegre, divertido e ritmado. “Nunca pensei. Aos 32 anos tenho um ‘hit’”, ri-se. “É quase um ‘Lisboa Menina e Moça’ dos tempos modernos”.

Oito de anos de interregno sem gravar até ‘Raquel’ fizeram-na repensar o rumo da carreira e o regresso tem sido auspicioso. “Estive quase a largar a vida artística e ir para o Brasil. Era muito tradicional, convicta das regras do mundo fadista e tive de me tornar menos preconceituosa comigo mesma para entender melhor esta nova indústria do fado”, conta. O resultado está à vista também neste grande êxito que todos cantam em uníssono.

Para o espetáculo do Coliseu, promete “um concerto autêntico” e a entrega de sempre, além de uma alusão e “sentida homenagem à Beatriz da Conceição”, fadista falecida há quase dois anos e que sempre assumiu como a sua grande referência no mundo do Fado. O Fado, “essa música magistral que faz mover emoções e toca todas as pessoas”.

MP3
As escolhas que tocam no MP3 de Raquel Tavares.