De 6 de abril a 28 de maio Teatro Armando Cortez

Hora: 21:39
Promotor: YELLOW STAR COMPANY
Preço: De 15,00 a 18,00€
Idade: M/12

A partir de 29 de março, Rita Pereira, Pedro Pernas, João Didelet e Martinho Silva sobem ao palco do Teatro Armando Cortez, na Casa do Artista, em Lisboa, para estrear “39 Degraus”. Esta peça, adaptada do romance do autor escocês John Buchan, depois tornada universal na tela do cinema pelo mestre Alfred Hitchcock, conta as aventuras de Richard Hannay, um engenheiro de minas sul-africano, herói de guerra, que se vê envolvido numa intrincada trama em que os incidentes desafiam as probabilidades e se desenrolam para além dos limites do possível. “Vai fazer doer os maxilares de tanto rir”.

Texto: Sofia Canelas de Castro

’39 Degraus’ é uma peça adaptada do filme de Alfred Hitchcock de 1935, que tem uma forte dose de humor, crime e susto. Também é assim nesta peça?

João Didelet (JD) – É uma comédia de suspense. A história do Hitchcock está lá e foi transportada para teatro. Em palco, é feita por apenas quatro atores mas no filme são 70 ou 80 personagens. No teatro o ritmo ganha uma dinâmica de comédia diferente. Mas está la a intriga, o crime, as emoções.

Pedro Pernas (PP) – O texto de teatro faz uma paródia ao filme e isso leva-nos à comédia. Exagera o filme, é uma grande comédia cheia de peripécias.

Rita Pereira (RP) – É mesmo uma comédia com todos os componentes do romance e do crime.

São os quatro atores com percurso também na televisão. O teatro é muito diferente?

Martinho Silva (MS) – A minha formação de base é o teatro e vejo-o como isso mesmo, a base. No início, quando comecei a fazer televisão, até tive algumas dificuldades porque vinha do teatro…

RP – Eu não sinto isso. Eu sou uma atriz em palco, sou outra atriz em televisão e uma outra em cinema. As linguagens são completamente diferentes. Por exemplo, por vir da televisão, o meu corpo já está educado a dar os ombros de frente para a câmara, foi assim que ele aprendeu a agir. Antes de vir para a televisão, fiz parte de um grupo amador de teatro mas a minha mente e o meu corpo habituaram-se à televisão. Agora, tive de reaprender com os meus colegas para que possa, por exemplo, não estar sempre virada para o público e poder estar a contracenar com o meu colega de lado. Já eles, que vêm mais do teatro, andam pelo décor com toda a naturalidade, ao contrário da televisão. Por isso, tenho de me adaptar ao registo em que estou.

PP – Fazendo um paralelismo à dança, a base é que nos transmite toda a técnica, como acontece no teatro. No teatro, temos a possibilidade de construir e maturar uma personagem e a televisão é muito mais imediata. Mas, como atores, temos de ter versatilidade e saber falar diferentes linguagens.

Falando em linguagens, a comédia, que parece um registo fácil, é dos mais desafiantes e difíceis para um ator…

JD – A comédia é muito exigente em tempos e disciplina mental de concentração no texto. Parece que só dizemos umas coisas, as pessoas riem-se e é fácil. Não é nada. Tudo leva muita preparação para sair natural.

RP – Para mim, é muito mais difícil fazer alguém rir do que chorar. É-me muito mais fácil fazer as pessoas chorar e chegar ao drama. Há muito pouca gente que tem mesmo graça.

A peça estreou já na Madeira. Os públicos são diferentes?

MS – Foi um belo balão de ensaio. Na Madeira, houve belas surpresas.

PP – Apanhamos sempre públicos diferentes. Por exemplo, no Porto o público é muito sincero: se gosta, gosta, senão diz logo que não gosta. Não têm aquele cuidado social de outros locais onde até dizem que gostam para não ferir a nossa sensibilidade. Noutros locais, há pessoas que ficam completamente agradecidas e nota-se essa energia na plateia.

Andar em digressão no teatro é uma festa?

RP – Nos primeiros três dias (risos). Depois torna-se uma rotina. Estamos sempre juntos…

RP – E come-se muito bem em sítios muito diferentes, somos sempre muito bem recebidos. É um dos fatores que me faz feliz: comer bem.

O João Didelet integrava o elenco em 2012, aquando da primeira apresentação da peça, com Vera Kolodzig, Rui Melo e Samuel Alves. Como estão agora atribuídas as personagens?

JD – Sou repetente também nas personagens e, com o Martinho, fazemos uma dupla que encarna muitas figuras do filme. Eu tenho desde agentes secretos, leiteiros, polícias, homens do campo, mulheres…

MS – A mim também me calha interpretar senhoras, não tão sensuais (risos). Estas personagens são descritas como ‘Clown 1’ e ‘2’, e são-no por ser um trabalho que pega em várias personagens e constrói bonecos diferentes, com muito espaço para a imaginação.

PP – Eu sou só o ‘Richard Hannay’, o leitmotiv (uso de um ou mais temas que se repetem sempre que se encena uma cena relacionada a uma personagem ou a um assunto) da história. Todas as outras personagens se vão cruzando comigo no meu caminho de fuga, para provar a minha inocência. Sou um lorde, bon vivant, solteiro, rijo que nem um pêro mas sinto-me entediado e procuro uma aventura. Então conheço a ‘Anabela Schmit’, uma das personagens da Rita, que me transmite informações altamente secretas e depois morre nos meus braços e tenho de resolver todas essas tramas. A partir daí começa a aventura.

A Rita, além de ser a morta…

RP – Eles já contaram tudo (risos). Resumidamente, eu sou três das seis mulheres desta peça. A Anabela, uma espiã alemã; a ‘Pamela’, uma tia de Cascais e a Margaret, uma menina do campo.

E quando há brancas (esquecimentos) em palco, a meio de um texto com tantas personagens…

JD – Nunca há (risos).

MS – O mais típico, comigo, é nem me aperceber quando tenho uma branca. Sobretudo com o ritmo deste espetáculo.

RP – Basta dizer uma ou duas palavras para que o colega lá chegue. Num ensaio, já me aconteceu esquecer-me da parte mais importante do texto: falar dos 39 degraus. E ninguém deu conta. (risos) Eu é que me lembrei, quase no final.

Há espaço para o improviso?

PP – Há tanto ritmo e isto é tanto um trabalho de conjunto que fica mais difícil. Dependemos uns dos outros e isso reduz o espaço ao improviso. Mas obviamente pode acontecer duas ou três clareiras que temos de preencher.

RP – Esta peça é muito uma coreografia, como a dança, sem improviso e com muita sequência.

Falando em dança, deixou o programa ‘Let’s Dance’, da TVI para fazer esta peça. O que é que a motivou a voltar ao teatro, oito anos depois do musical ‘Os Produtores’?

RP – Esta peça mesmo! Quando a Carla Matadinho (produção) me ligou não foi para me convidar mas sim para me perguntar quem é que eu achava que podia fazer a peça. E eu disse-lhe que queria ser eu. Gosto muito do texto, tem um humor muito diferente a que o público português está habituado…

Mais subtil, mais britânico?

RP – Sim, é mais refinado, não é gratuito.

JD – É uma peça muito de situação.

RP – Em Portugal, as pessoas estão habituadas a rirem-se em situações com muitas asneiras. Na nossa peça, não há uma única.

JD – Tu dizes uma asneira…mas é em alemão (risos).

E agora para o elenco masculino: como é contracenar com uma ‘estrela’ de televisão como a Rita Pereira?

MS – Só de respirar o mesmo ar que ela… (Risos)

RP – A pergunta devia ser ao contrário: como é para mim, vinda da televisão e habituada às luzes das câmaras e a tirar fotografias com as pessoas na rua, estar com pessoas altamente talentosas do teatro que me dão a oportunidade de trabalhar com eles.