De 2 de junho a 2 de julho Teatro Sá da Bandeira

Hora: 21:30
Promotor: Marina Mota
Preço: De 10,00 a 20,00€
Idade: M/12

Em ‘Tempestade num Copo de Água’, Marina Mota volta a partilhar o palco com Carlos Cunha, ex-marido, Erika, a filha de ambos, e Rui de Sá e Nuno Pires, dois amigos e colegas de longa data. Porque em ‘família’, fica mais fácil fazer comédia. De 2 de junho a 2 de julho, no Teatro Sá da Bandeira, no Porto. Duas horas de “pura diversão”.

Texto: Sofia Canelas de Castro

 

‘Tempestade num Copo de Água’ é…

São duas horas de puro entretenimento, com um texto de Roberto Pereira, que fala sobre um casamento. O noivo é um chefe das Finanças e muito focado nos problemas fiscais. É também a história de vários casais – cinco atores e cada um faz três personagens – com as suas divergências e cumplicidades, tudo condimentado de uma forma muito divertida.

Vale a pena fazer ‘uma tempestade num copo de água’?

É só num copo de água, mesmo (risos). Tenho a certeza que as pessoas que vão ver esta comédia no final de um dia complicado se vão divertir. Aquelas duas horas são para rir…muito.

Rir é mesmo o melhor remédio?

É, sem dúvida. É mesmo para rir. Diversão pura.

E, tal como a revista, é a sua ‘cara’…

Sim, este espetáculo é uma comédia e não revista. Mas a revista é, de facto, a minha cara. Sou, acredito, atriz. E o género-revista abrange todos os outros: comédia, romance, farsa, drama, pode cantar-se, dançar-se, dá para tudo. É tão abrangente que é mesmo o género onde me sinto melhor.

Partilha o palco, uma vez mais, com Carlos Cunha, com quem foi casada 14 anos. Como é contracenar com alguém que se conhece tão bem?

Continuamos a trabalhar juntos e a partilhar o palco exatamente porque temos uma cumplicidade incrível enquanto atores. Conhecemo-nos excessivamente bem – e aqui o excesso não é problema –, o que nos permite um à vontade para tudo: para o improviso, para a falha do outro se ele tiver uma branca, para tudo… Além disso, é um ótimo profissional e excelente comediante e isso é o mais importante.

Como é a relação com os outros atores?

Com a Erika, que coincidentemente é minha filha e se estreou em palco comigo, também é uma repetição. A Erika é uma menina – para mim, sê-lo-á sempre – com talento e de uma entrega absoluta; o Rui de Sá é da minha geração e já trabalhámos muitas vezes juntos e o Nuno Pires também. Ou seja: somos uma equipa pequena – cinco atores e quatro técnicos – e passamos muitas horas juntos. Isto de andar em digressão tem muito que se lhe diga! E convém que, além do talento, se esteja com boa gente, bem formada com quem nos possamos divertir para que o trabalho seja mais fácil.

E a filha, Erika, pede mais conselhos profissionais à mãe ou ao pai (Carlos Cunha)?

Talvez mais à mãe, até porque sou produtora do espetáculo, diretora dos atores e a pessoa que escolheu o texto. Por isso, é natural que recorra mais a mim. Mas não significa que não recorra ao pai com uma ou outra dúvida ou conselho.

É fácil separar o lado familiar do trabalho?

É muito fácil. Na minha empresa (Marina Mota Produções) sempre trabalhei com familiares e amigos próximos e sei muito bem dissociar as coisas. Como se diz: ‘Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque’. Sou uma pessoa rigorosa e que gosta de disciplina e sou perfeitamente capaz de esquecer que estou com amigos e familiares quando estou a trabalhar de facto.

Andam com o espetáculo em digressão pelo país e entre 2 de junho e 2 de julho estarão no Teatro Sá da Bandeira, no Porto. Há diferenças entre os públicos, sejam do norte ou sul, litoral ou interior, por exemplo?

Sim, o público do norte é mais efusivo, mais aberto e mais rapidamente nos aceita. No Algarve, demoram um bocadinho mais. Em Lisboa há mais vergonha de se assumir a vontade de rir…

E como é conciliar a o ritmo de digressão, novela, família?

Admito que não é fácil mas eu, como sou uma atriz que se estreou num ritmo intenso e trabalhou muitos anos e num ritmo de oito espetáculos por semana e uma folga semanal à segunda-feira, não sou de dizer ‘eu estou cansada’. E, em 44 anos de profissão, a família está habituada a estes tempos. Mais vale tempo de qualidade: eu quando estou, estou.

Falou há pouco do improviso. Fica mais fácil com família e colegas com quem se tem mais proximidade?

O improviso nunca é propriamente anárquico já que temos uma estrutura de texto que tem de ser respeitada. E só depois de estarmos muito confortáveis nessa estrutura do espetáculo, a partir daí estamos mais à vontade para, sem improviso em excesso, metermos as nossas graças, as nossas ‘buchas’…

Ainda assim, é mais fácil improvisar em comédia do que em drama…

A comédia é algo que vive muito do momento e permite-nos uma liberdade maior do que o drama. Quando temos alguma espontaneidade, é mais propício ao improviso e no drama não. Mas é muito mais difícil fazer rir.

É uma comediante reconhecida e aplaudida e teve agora uma personagem de televisão, na novela ‘Rainha das Flores’ (SIC), com uma carga dramática muito grande. Foi um desafio?

Ainda que não colocasse em causa a minha capacidade de fazer um género diferente da comédia – perdoem-me a imodéstia, já que a revista abarca todos os géneros e já fiz tantas! –, esta novela foi importante para mim porque foi a primeira vez que não me foi atribuída uma personagem popular ou com uma componente cómica.

A personagem ‘Alexandra Piedade’ desta novela confronta-se com um problema moral: a eutanásia. Qual é a sua posição sobre este tema?

Acho muito importante que as novelas ou outro tipo de programa abordem os temas que são alvo de controvérsia e que merecem debate. Há o lado racional e o emocional e estes nem sempre estão de acordo. Se me perguntar se, racionalmente, sou a favor da eutanásia, obviamente que sim. Cada ser humano tem o direito de decidir. Mas não sei se a minha razão e a minha emoção se conseguiriam unir perante uma situação que envolvesse um familiar ou alguém que ame muito. Não queria ter de tomar essa decisão.

E como é a personagem que está já a gravar para a nova novela ‘Espelho d’Água’ (SIC)?

Ao contrário de anterior, aqui a minha personagem tem uma componente cómica. E eu estou atualmente loura por uma razão: nesta novela, emigrei para os Estados Unidos e sou fã do Donald Trump.

E na vida real, qual é a sua opinião sobre o presidente dos EUA?

De há uns anos para cá, desde que senti que sou uma marioneta nas mãos das pessoas de poder, que já não me sinto obrigada sequer a formar grande opinião. Perco menos tempo e energia a pensar em política. Algo de bom ele há de ter senão não teria tantos seguidores… Bem, o Hitler também teve e era um filho da mãe.