A música passou de uma brincadeira para algo cada vez  mais sério. Os Quatro e Meia cresceram não só em número de elementos, como também no reconhecimento do público, tendo já conseguido chegar inclusive ao top nacional. Hoje, continuam a ser uma das bandas nacionais mais ouvidas de momento.

Tiago Nogueira, vocalista e guitarrista, mostrou-nos um pouco mais sobre o início do percurso da banda e as perspetivas para o futuro. Vão atuar a 24 e 25 de abril no Teatro Tivoli Bbva, em Lisboa.

 

Qual é a origem do nome do grupo “Os Quatro e Meia”?

O nome surgiu no dia do primeiro concerto. Na altura, não foi nada planeado. Eramos cinco elementos, mas quatro de nós muito mais altos que o outro – o meia-leca, como nós o tratamos carinhosamente. No momento em que íamos subir ao palco, perguntaram-nos o nosso nome e, como não tínhamos, olhamos uns para os outros e concluímos que éramos os quatro e o meia. Foi assim que arranjamos designação. Mais tarde juntou-se mais um elemento, mas o nome manteve-se.

 Como é que o grupo surgiu?

Estávamos todos a estudar em Coimbra. Na altura ia decorrer um sarau de angariação de fundos para uma escola de ballet conseguir ir ao Canadá representar Portugal. A minha irmã estudava nessa escola e, na altura, para não ser apenas um espetáculo de dança, pediu para eu também participar com uns amigos e irmos lá fazer uma brincadeira. Lembrei-me da malta que conheci na faculdade de outras andanças e fomos até lá tocar sete músicas. Aparentemente deve ter corrido bem porque no final convidaram-nos para fazermos mais dois concertos. Era para ser apenas naquela ocasião, mas por força das circunstâncias o projeto manteve-se daí para a frente.

Tirando o João Cristóvão Rodrigues, o violinista do grupo, todos vocês têm profissões fora da música. Trabalham em sítios próximos geograficamente?

Nem por isso. O Ricardo Liz Almeida é médico em Viseu, o Pedro Figueiredo em Cantanhede, e eu [Tiago Nogueira] em Coimbra. O Mário Ferreira também trabalha cá, em Coimbra, como informático, o Rui Marques é engenheiro civil em Carregal do Sal, e o João Cristóvão Rodrigues, que é o único que é músico de profissão, trabalha na região de Aveiro.

Como fazem para agilizarem o vosso tempo e para se encontrarem?

Continuamos a encontrar-nos em Coimbra sempre que é possível. Vamos tentando gerir da melhor forma os horários de cada um, o que não é fácil, obviamente. Só o conseguimos muito à custa da simpatia e do companheirismo dos nossos colegas de trabalho que nos permitem fazer trocas e termos a possibilidade de nos encontramos uma ou duas vezes por semana para tocarmos.

Sentem que se continuarem a crescer estão dispostos a dedicarem-se a uma carreira exclusivamente musical?

Acho que nunca discutimos isso de uma forma séria. Aliás, não está nos nossos planos imediatos abandonarmos as nossas profissões. Apenas no dia que surgir esse imperativo é que teremos que tomar uma decisão, até lá vamos conciliando as duas vertentes.

O ano passado destronaram Salvador Sobral do top nacional. Como explicam este sucesso?

Isso coincidiu com aquela infelicidade que o Salvador disse em público nessa semana (risos). Os astros alinharam-se, uma vez que também era a nossa estreia, e o efeito surpresa e a novidade fez com que tivéssemos entrado no top. Acredito que ficamos em primeiro devido à conjugação desses dois fatores, até porque o Salvador rapidamente recuperou aquele que era o seu lugar natural. Ainda assim, e acho que vale a pena registar, continuamos a ter um feedback muito positivo a nível de vendas de CD’s. Atualmente ocupamos o quadragésimo lugar [à data da entrevista], o que é bastante bom para uma banda que está a dar os primeiros passos.

Quem são as vossas principais influências?

Somos seis pessoas e todos nós ouvimos música muito diferente, por isso é muito complicado responder. De qualquer das formas, há algumas influências que são óbvias de uma forma geral e isso nota-se na nossa sonoridade. Aliás, até já tivemos oportunidade de tocar com algumas delas, e ainda vamos fazê-lo com outras em concertos que já temos agendados. Falo, por exemplo, de António Zambujo, Miguel Araújo, Os Azeitonas, ou até mesmo de bandas mais antigas como os Trovante, Rio Grande ou os Resistência. Acho que, quem ouve a nossa música, facilmente percebe que existe ali qualquer coisa também deles.

O ano passado lançaram “Pontos nos Is”. Para quando está previsto o próximo álbum?

O próximo álbum não está previsto para uma data em concreto, mas já começamos a trabalhar nisso. Estamos em fase de pré-produção, já com músicas novas, mas como temos sérias limitações de calendário é impossível estabelecermos para já uma data. Ainda assim, eu penso que no início do próximo ano deveremos estar a lançar o nosso segundo CD.

 

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