Isto vai mexer com os seus sentidos. Inaugurado a 31 de maio, não é bem um museu, segundo
a conceção clássica. É mais um sítio cheio de cor e magia, capaz de proporcionar as sensações mais agradáveis. Tivemos um encontro feliz com os magos que criaram o The Sweet Art Museum, Hugo Silva e Carla Santos, e trouxemos-lhe esta história.

Teria sido naquele pavilhão de Marvila, a fazer esquina com a Rua do Açúcar, que Willy Wonka instalaria a sua Fábrica de Chocolates, caso a mudasse para Lisboa. Mas, agora, a personagem de Roald Dahl, a quem Johny Depp emprestou corpo no filme de Tim Burton, só se pode roer de inveja. Ali, naquela esquina (mais precisamente, no Edifício 5 da Rua José Domingos Barreiros), emergiu, a 31 de maio, algo que nem ele nem o seu simpático amigo Charlie ousaram sonhar.
Naqueles 600 metros quadrados, até o ressabiado e azedo sr. Wonka poderia gozar alguns momentos de felicidade. Pelo menos é o que garantem Carla Santos e Hugo Silva, os happy founders (que é como quem diz felizes fundadores, criadores, mentores, impulsionadores e outras coisas acabadas em ores) de The Sweet Art Museum ou The SAM.
Antes de continuar, façamos uma ressalva: “Não somos um museu dos doces. Somos um museu doce”, esclarece Carla Santos, confirmando o manifesto pintado, de alto a baixo na fachada, do edifício: “I’m sweet”.
Apesar da piscina de marshmallows, dos ursos de goma gigantes ou dos enormíssimos gelados a saírem das paredes, ali ninguém corre riscos de sair com dentes cariados ou em choque hiperglicémico. Podem, pois, ficar tranquilos os ativistas da alimentação saudável. Até Willy Wonka pode dormir descansado: não tem concorrência direta e, para instalar a sua fábrica em Marvila, só precisa de esperar três meses – o tempo que o projeto ali vai morar.
Este é um museu pop up, que procura fazer as delícias de quem não tem medo de entrar, por uns momentos, num mundo imaginário. E Lisboa não é a única feliz contemplada – sim, a felicidade é o conceito-base desta iniciativa. No mapa de Carla e Hugo estão também, Londres (em conversações) e Madrid (aqui ao lado) e Porto (que deverá ser a próxima etapa). “A ideia é abrir noutro sítio com salas diferentes”, salienta Hugo Silva, admitindo que algumas das de Lisboa possam ser repetidas.

Quanto à inspiração, essa surgiu quando, no dia em que Carla, se deparou no Instagram com uma página cheia de cores. Pesquisou. E, pouco depois, parou no Ice Cream Museum. “Aquilo era giro, simples e espontâneo. Não havia nada idêntico em Portugal ou na Europa.”
No total, poderão ser visitadas oito salas. Todas com experiências interativas e digitais, que relacionam a fantasia com a realidade. Esta, por vezes aumentada com uma sofisticada aplicação para dispositivos móveis.
É uma experiência de encher o olho e que apela aos outros sentidos. Assim, no final da visita à Ice Cream Land, poderá, durante o mês de junho, ser degustado gelado de ovos moles de Aveiro. Em julho, o público decidirá novamente o sabor do mês, com a disputa a decorrer entre o ananás dos Açores e a banana da Madeira. “Os sabores serão sempre portugueses”, informa Carla Santos.
E há a Splash Mallow Pool, a já afamada sala onde se mergulha numa piscina de marsh mallows, que (atenção!) não são comestíveis. Os mais gulosos terão de esperar e à saída da sala receberão um miminho.
Na sala Lucky Fruit, brotam frutas como nunca as vimos em termos de textura e cores. A conceção e decoração desta esteve a cargo da artista plástica Maria Imaginário. Aliás, nas suas deslocações, o The SAM recorrerá sempre a um artista local.
O bilhete (à venda na Ticketline), dará direito a disfrutar de momentos felizes num dos espaços mais doces de Lisboa com nomes como o Happy Hall, o Candy Wash, o Pop Circus ou o Sweet Dreams.

Para concluir, deixa-se aqui mais alguma informação fundamental: este é dos poucos museus onde fotografar é obrigatório (será ofensivo ir sem, pelo menos, um smartphone), a partilha de imagens é encorajada (o Wi-Fi é de graça!) e o uso de selfie stick permitido.
Dali até um maldisposto empedernido como Willy Wonka pode sair com um sorriso nos lábios.

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