Benjamin Clementine é apaixonado pelos portugueses. E os Portugueses por ele. Portugal não lhe sai da cabeça. Regressa agora para tocar no Centro Cultural de Viana do Castelo, dia 26 de março e Campo Pequeno, em Lisboa, dia 29 de março.

Texto de Pedro Paulos

Tens vindo muito a Portugal e parece-me que tens construído uma bela relação com o público português, até disseste há 2 anos que eram o teu público preferido.
Sim, é uma relação maravilhosa. Portugal é um grande amigo meu. É o meu melhor público.

Muitos artistas de todos os ramos têm-se mudado para cá e tu quando é que vens?
Sim! Eu ando a pensar nisso. Precisamos de estar nos sítios onde estão as pessoas que nos amam, perto delas.

O que podem as pessoas esperar deste teu regresso?
Vou dar tudo o que tenho. Vou fazer algumas coisas novas, nova música. Quanto mais vezes melhor, vou dar o que tenho ao público português porque sei que que eles gostam de mim, sem pensar duas vezes.

Na última vez ainda nem tinhas lançado este disco novo, “I Tell a Fly”. E, ainda por cima, é o segundo, aquele que costuma ser o mais difícil. Como foi para ti?
Sim, isso é verdade. Mas para mim foi fácil, apesar de saber que ia ser mais complicado para as pessoas compreendê-lo. Como qualquer artista há alguns discos que fazes para ti e este disco é um disco para mim. Não é para mais ninguém. Era ótimo se as pessoas o compreendessem e gostassem dele. Mas é sobretudo para mim e sobre o que vai dentro da minha cabeça. O primeiro também era sobre mim, mas apontei-o às pessoas. Este apontei para dentro, ao que estava a pensar naquela altura. Se for difícil para algumas pessoas não é um problema, nada é suposto ser fácil na vida.

Um disco sobre como te vês no mundo.
Sim, basicamente. Todos temos um “alien” em nós, acabamos, mais tarde ou mais cedo, por sentir que o temos. Vamos para países diferentes, experimentamos sensações, conhecemos pessoas. Algumas são más, outras boas. Vivemos como “aliens”.

Há uma perspetiva bem pessoal neste disco mas também profundamente política. Isso era algo que já estava dentro de ti? Ou que apenas apareceu com os recentes acontecimentos políticos?
Eu não acho que seja político. As pessoas dizem que é, para mim é apenas pessoal. Ser um “alien” neste mundo é algo comum a muitos de nós. Se quiseres ver as coisas de um ponto-de-vista político não vejo problema, eu escrevi-o de um ponto-de-vista artístico. A melhor coisa da vida é que todos temos a nossa opinião e todos acreditamos em algo. Se algumas pessoas acham que é político, tudo bem. Sou um artista, não sou um político.

Foste pai recentemente, mudou a tua maneira de ver as coisas?
É uma experiência que faz parte da vida. Enquanto crescemos mudamos de opiniões e ideias, passamos por fases diferentes na vida. Se foi alguma coisa, foi uma bênção. É algo que acrescenta ao que eu sou enquanto homem e artista. Vou só focar-me em ser o melhor pai no mundo, ser generoso e carinhoso para a minha criança e a minha esposa.

Pareces uma pessoa que sabe bem o que quer.
Posso soar a isso mas nem sempre é assim. Não sou perfeito, às vezes não sei o que quero. Às vezes fico confuso. Por sorte, quase sempre sei o que quero. Isso é bom.

Mas aposto que sabes o que queres tocar em Portugal.
Claro! Mal posso esperar por tocar. São os únicos concertos em que estou a pensar, para ser honesto. Porque, como disse no principio, quero tocar para pessoas que adoram o que tu fazes. Não queres tocar em frente de pessoas que não querem saber de ti. Tu queres?

Hmmm, deduzo que não.
Não, claro que não. (risos)

 

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