Quando comecei a escrever estas linhas era o 2.324.207.462º a ver vídeo clip de “Despacito” no youtube, quando terminei, 20 minutos depois já havia mais 700 mil visualizações. Estava em quinto lugar nos mais vistos de sempre, mas o mais certo é que antes do final de Julho chegue ao cimo da lista. Despacito? Sim. Mas a todo o vapor.
Luis Fonsi, autor do megafenómeno musical deste verão, a canção “Despacito”, falou com o diretor da Ticketline desde Madrid e o resultado foi surpreendente. Tem uma humildade tão notável como o seu salero, é tão entusiasta como uma salsa, mais atencioso que um bolero e alegre como um reggaeton.
Falou-nos sua carreira, do seu método de trabalho, da sua vida de emigrante e do amor a Porto Rico, a terra que o viu nascer há quase 40 anos.

Texto: José Manuel Diogo

“Despacito” está a bater todos os recordes, é o culminar de uma carreira?
Tem sido uma viagem muito bonita de crescimento, onde passo a passo e com muito trabalho e muito esforço, fui crescendo disco atrás de disco, de canção a canção. Tenho aberto portas desde o meu primeiro disco até ao próximo que já vai ser o nono. A minha carreira tem sido uma constante evolução musical e basicamente isso define os anos. Fico contente, a verdade é que aproveitei bastante, mas ainda há muito por fazer.

Como surgiu a música e a letra de “Despacito” ?
Cada canção tem diferentes historias de criação, umas nascem de uma maneira muito natural outras nascem de uma maneira mais forçada e um pouco mais trabalhadas. “Despacito” nasceu da maneira mais natural possível. Levantei-me de manhã com a ideia da letra e grande parte da melodia. Nessa tarde tinha uma sessão de composição com uma amiga e contei-lhe a ideia. Começamos a escrever “Despacito” e 4 ou 5 horas depois tínhamos a canção completamente escrita. Nesse momento tive a sensação de ter uma canção bastante importante nas minhas mãos. Algo que podia ser suficientemente importante para gravar em disco. Mas nunca pensamos que se vai converter num fenómeno. A palavra fenómeno não está no nosso vocabulário quando estamos a escrever. Queremos é que seja uma boa canção e suficientemente boa para gravar.

Com o que está a acontecer, como se sente?
Honrado e privilegiado. É uma alegria saber que de entre tanta boa musica, uma canção em espanhol está a marcar o mundo inteiro. Na Ásia, Europa, América até na Austrália. Ver todos os continentes a dançar a minha música e a tentar aprender um pouco de espanhol através dela, e ver imagens da minha terra, Porto Rico, em todos os lugares é muito bom. E o vídeo do youtube já é um dos mais vistos em toda a história. É um privilegio desfrutar o que estamos a desfrutar com esta música.

Justin Bieber e outros artistas já cantaram Despacito em dueto. Vai gravar com algum artista português?
Ficaria encantado, sempre disse que a música é para partilhar e não para competir. As colaborações são sempre boas ainda mais quando se trata de artistas de diferentes países onde até certo ponto te ajudam a conhecer mais o público. Para mim seria genial puder colaborar com um artista português e ambos celebrarmos a música.

O que conhece da música portuguesa e de Portugal?
Na realidade gostava muito de conhecer, mas não conheço muito. Uma das coisas que mais me emociona é conhecer a música, conhecer o país, a gastronomia que tanto gosto. Emociona-me conhecer pela primeira vez Portugal e pisar estes palcos pela primeira vez. Vamos celebrar o carinho que o público me está a dar com esta canção e quero estabelecer uma relação importante para que possa voltar muitas mais vezes.

O fado é a musica portuguesa mais conhecida internacionalmente, conhece-o?
Claro que conheço, conheço o género e sei a importância que tem, uma das coisas que mais me interessa é estudar e conhecer outros géneros e o que mais disfruto é celebrar a música típica de cada país para aprender como músico.

Recebeu um Grammy latino, cinco prémios latinos da Billboard e muitos mais prémios, que representam para si estes prémios?
Cada prémio tem o seu significado, é um reconhecimento do público, é uma recordação que colocamos no escritório ou no estúdio e quando a olhamos transporta-nos para o momento quando te entregam o prémio, tem um valor muito importante.

Do próximo disco que vai lançar o que podemos esperar?
O disco já está gravado, vai ser lançado no final deste ano, início do próximo, chama-se “Love and Dance” e combina vários mundos, o amor e a dança, o romance e ritmo, é como “Despacito” uma fusão de diferentes estilos… No disco há canções assim também, vamos cantar algumas na estreia em Portugal e estou ansioso que o público conheça o resto do repertório.

Saiu de Porto Rico com 10 anos, sente saudades?
Vivo em Miami e gosto muito, mas nunca nos desconectamos da terra que nos viu nascer, Porto Rico para mim sempre vai ter um lugar muito especial no meu coração, é a minha inspiração. Tenho casa em Porto Rico e visito com alguma frequência, nunca me desliguei apesar de não viver lá.

Depois do boom de “Despacito” o que mudou na sua vida?
Não mudou nada, mas tenho muito boas recordações. No próximo ano vamos fazer mais de 100 concertos pelo mundo inteiro o que sem dúvida vai ser mais uma recordação para mim. Esta é até agora a canção mais importante da minha carreira e é graças a esta canção que estou a visitar Portugal.

Esta canção é uma homenagem a quem?
À alegria, à celebração, ao amor, a Porto Rico, à beleza das mulheres, às atrações no bom sentido da palavra.

O que queres dizer aos teus fans em Portugal?
Obrigado por apoiarem a minha música, espero que a desfrutem a dançar e a cantar, que os espero a 18 e 19 Julho em Lisboa e Gondomar e que seja especial para eles porque para mim vai ser de certeza.