Há 4 anos apaixonou-se pelo fado e, desde então, envolveu-se nesse mundo e trouxe-o para locais improváveis. Joana Esparteiro é mais que uma apaixonada pelo fado, é uma difusora nata. Há uns anos criou o Fados Fora de Portas para levar o fado até si, agora leva-o também ao Principe Real com o Real Fado.

De onde veio a ideia de criar o Real Fado?
A Catarina Lopes da EastBanc, uma empresa americana de imobiliário que se instalou no Príncipe Real e que tem dinamizado urbanamente este bairro lisboeta, contactou-me porque gostava muito de fazer uma programação de fado no Principe Real com alguma regularidade. Surge da ideia de fazer 3 concertos semanais de fado autêntico em 3 espaços surpreendentes.

E quais é que são esses 3 espaços?
O Pavilhão Chinês, onde temos concerto à terça-feira, um bar muito icónico de Lisboa. Nesse dia é um espetáculo de fado tradicional, um espetáculo de fado com a duração de uma hora. À sexta-feira, no Reservatório da Patriacal, fazemos um espetáculo de fado e outras sonoridades. Sempre uma influência cultural de outro país e temos muitas vezes músicos internacionais. E é num espaço incrível, uma cisterna subterrânea. Tem um ambiente muito especial. Todos os concertos do Real Fado são muito próximos, muito intimistas.

Ainda falta outro sítio, a Embaixada.
Que é o concerto que temos ao domingo, numa galeria comercial com marcas muito contemporâneas. Pelo Real Fado de lá cruzam-se 2 gerações de fadistas: temos sempre um fadista com mais de 50 anos de carreira e um fadista da nova geração do fado. O interessante neste concerto da embaixada é que os repertórios são muito diferentes, as vozes são muito diferentes, a própria forma de estar também.

O Real Fado era para ter tido uma duração limitada de tempo, mas ainda continua. Agora vai durar para sempre?
Esperemos que sim. (risos) Tem corrido muito bem, felizmente. A ideia era fazer concertos durante o verão, que também é a época alta do turismo em Lisboa, mas depois não nos apeteceu parar pela forma como correu.

Parece-me que o Real Fado é uma extensão daquele projecto que começaste há 4 anos, Fados Fora de Portas.
Sim, que é uma produtora de espetáculos exclusivamente de Fado. Eu queria fazer só concertos de fado a vários níveis, em eventos particulares ou empresariais e de braços outros projectos, como é o caso do Real Fado.

Deve ser muito diferente ouvir, por exemplo, o guitarrista Pedro de Castro a tocar fora de portas que na Mesa de Frades, onde está quase todos os dias.
Na Mesa de Frades o Pedro de Castro é o proprietário. É uma casa muito emblemática da cidade de Lisboa. O Pedro é a alma da Mesa de Frades e está quase todas as noites lá. É muito especial porque é o sítio onde os fadistas vão aos fados. E isto marca muito uma casa. Numa casa que acaba sempre às 5 ou 6 da manhã. (risos) O Real Fado acaba por ter um ambiente semelhante, também porque somos os mesmos.

Tal como tu há uns anos ficaste com o “bichinho” do Fado, pelo Real Fado não há pessoas que começam por lá a ouvir fado a sério?
Há pessoas que saem de lágrimas nos olhos a agradecer-nos. Temos às vezes promotores na rua ou turistas que são recomendados pelos hotéis e as pessoas no fim dizem-nos: “Meu deus, como é que eu vim aqui parar”. (risos)

Quem são os músicos que costumam estar no Real Fado?
A equipa é vasta. Costumamos ter, na guitarra portuguesa, o Pedro de Castro, o Dinis Lavos e o Bernardo Couto, que acompanham os fadistas mais reconhecidos pelo mundo fora. Nas violas costumamos ter o André Ramos, o João Filipe, também músicos que acompanham fadistas por todo o lado. E no baixo, habitualmente temos o Francisco Gaspar. Tenho a sorte de trabalhar com uma equipa muito coesa, temos todos uma dinâmica muito próxima. O fado tem muito este registo, de chegar e tocar, o improviso do momento e a risota. E isso nós trazemos para aqui.

Para além do Real Fado, pode ainda ouvir fado por estes lugares de Lisboa:

Mesa de Frades – Joana Esparteiro descreve-o como “o lugar onde os fadistas vão ouvir fado”. Quem sabe não vê um dos grandes fadistas a cantar.
Tasting Fado –  O Tivoli BBVA recebe, de 27 de Janeiro a 27 de Março, uma doce introdução à história do Fado. Um espetáculo que para além de instrutivo, é acompanhado por um pastel de nata e um copo de vinho do porto.
Há Fado no Cais – O espetáculo de fado mensal do Centro Cultural de Belém recebe, no dia 12 de Janeiro, o conceituado guitarrista Pedro Castro. Uma oportunidade única de o ver num formato de concerto.
Fado Fora de Portas – A empresa de Joana Esparteiro levo o fado a eventos como casamentos ou eventos empresariais.

 

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