EDITORIAL

Fevereiro/2017

Esta é uma edição mística. Se reparar bem, a mão da bailarina que pode ver na capa assemelha-se à mão de Deus tocando na de Adão no teto da Capela Sistina. Toda ela elegância, intensidade e arte.  A edição da Ticketline Magazine que hoje lhe chega às mãos é uma fonte de inspiração que nos traz motivos para vivermos ainda com mais fervor o presente, projetando-nos para um futuro desconhecido sem receio. A arte, em todas as suas vertentes, no bailado, na música, no teatro ou na performance, dá-nos a capacidade de nos reinventarmos e o poder – quase divino – de podermos escolher o que vamos ser através dela. Acompanhámos os ensaios da Companhia Nacional de Bailado, onde, do esforço físico extremo e da persistência, nascem movimentos perfeitos, tão naturais, que até parecem simples de fazer. A dança e as suas personagens oferecem-nos a faculdade de, através delas, vivermos outras vidas, outras histórias, outros dramas e outras quantas felicidades. Para nos reinventarmos é também preciso – para além de uma sã dose de loucura – uma boa dose de coragem. Um bom exemplo é o trabalho que agora nos apresentam os UHF: a coragem de persistir através da reinvenção e da ousadia de transformar clássicos de sempre juntando-lhes outras sonoridades, outra vida. Já os HMB mostram-nos, num mundo cada vez mais fundamentalista, que é possível viver harmoniosamente no plano terreno e no divino, através da capacidade salvífica da música.

Um último destaque para a entrevista de Hélder Guimarães, um talento que é obrigatório descobrir. Para ele, não há outra forma de estar no mundo que não seja pôr em prática a maior virtude humana que é a contínua reinvenção. Reinventemo-nos, então, todos os dias!

Boas leituras.

diretor

 José Manuel Diogo

DIRETOR Ticketline Magazine