Nuno Calado é um espírito livre que não gostava – e continua a não gostar – de ouvir o que é considerado mainstream. Amante da música alternativa, criou o Indiegente, um programa de rádio que pretendia dar voz a um estilo musical tantas vezes marginalizado. Mais de duas décadas depois as emissões continuam e para o celebrar convidou vários músicos para tocar no Lisboa ao Vivo, num concerto non-stop que acontece a 13 de outubro.

Em entrevista à Ticketline, Nuno Calado conta tudo sobre o conceito do programa e fala-nos sobre o que podemos esperar deste grande espetáculo ao vivo.

O que é o Indiegente? 

O Indiegente é um programa que começou há 21 anos dentro do panorama daquilo que se chamava música alternativa e que veio preencher uma lacuna no panorama das rádios portuguesas. Hoje em dia, no entanto, o conceito é muito mais abrangente do que seria na altura, até porque a maioria das playlists das rádios eram muito mais mainstream.

Porquê o nome “Indiegente”? 

Indiegente é uma palavra com vários sentidos. Tem o “Indie”, do estilo musical, e “gente”, de pessoas que estavam dentro do campo da música, mas não só. Queria abranger todos os que se interessavam pela cultura alternativa. Por outro lado, “Indiegente” representa algo que vive na rua. Naquela altura, o programa tratava das músicas que não passavam nas playlists das rádios. Era música que vivia abandonada, marginalizada, sem um espaço onde se podia inserir.

De que forma é que o programa foi evoluindo ao longo destes 21 anos? 
Evoluiu em diversos sentidos. O programa já teve três horas, passou para duas e agora está em apenas uma. Os horários também foram divergindo. A partir das 21h, o programa já foi emitido em todos as horas possíveis. Mas a maior diferença, atualmente, é mesmo a quase exclusividade da música dentro do programa. Antes era frequente falarmos de outras áreas. Por exemplo, o José Luís Peixoto colaborou connosco durante dois anos, em que trazia literatura para o programa, muitas das vezes traduzida pelo próprio, e algumas escolhas musicais. Isso dava-me prazer. Gosto de abrir a porta a pessoas que venham falar de todo o tipo de cultura alternativa. Queria voltar a incluir participações do género porque considero que enriquece o programa, mas com as limitações de tempo que enfrentamos nos dias de hoje torna-se ainda mais complicado. No futuro, quem sabe, não voltamos a contar com outros campos da cultura.
Com a evolução da internet, presumo que a música alternativa tenha chegado a mais lugares… 

Antes de a internet surgir, as pessoas ouviam o programa e era ali que encontravam a maioria daquilo que existia de novidade. Hoje em dia não é assim. Quem tiver tempo e for bem informado, consegue descobrir tanto ou mais material do que aquele que é mostrado no programa. Ainda assim, há gente que nos segue e se guia pelo que passa no Indiegente porque são pessoas que já ouviam o programa antes e confiam na linha musical que é transmitida.

O “Indiegente” vai trazer uma série de bandas ao LAV – Lisboa ao Vivo, com a “Festa de Amigos”. Como é que os concertos irão funcionar? 

Quem olhar para o cartaz deve pensar que aquilo vai ser uma maratona musical das 10:00 às 04:00, mas não é isso que vai acontecer. A ideia é serem apenas três horas de música, mas non-stop. Normalmente, neste tipo de espetáculos, existe uma backing band que suporta o concerto e vão mudando dois ou três elementos apenas. Como tenho tendência para dificultar, achei que seria mais interessante se isso não acontecesse, até porque assim ninguém fica sobrecarregado a tocar horas a fio. A ideia é organizar uma lógica em que um artista sobe ao palco, toca duas ou três músicas, convida outro artista para se juntar a si, fazem algo juntos e depois sai para dar lugar a um terceiro elemento. Quase como se fosse uma corrente e os artistas convidados fossem elos dessa mesma corrente.

Como é que as bandas se vão organizar em palco? 

As bandas são portuguesas, quase na totalidade, e já se conhecem. Algumas até já planearam fazer algo em conjunto, no futuro. Com o “Festa de Amigos”, nós fizemos com que essa junção fosse um pouco antecipada. Vai ser uma estreia. Aliás, existem alguns artistas que vão fazer coisas originais no concerto e, quem sabe, até poderá ser material que se irá tornar em algo fixo no futuro. A ideia deste espetáculo é colocar os músicos à disposição uns dos outros e fazerem coisas inovadoras.

Quais foram os critérios de escolha destes artistas? 

Foram vários. A grande maioria destas pessoas são artistas de que gosto musicalmente e que respeito como seres humanos, até porque esse é um critério importante para mim. Como vou fazer uma espécie de festa, é importante que quem esteja no espetáculo se sinta quase como se tivesse na minha sala, com os meus amigos. A cumplicidade entre os músicos é muito importante também. Acreditamos que podem existir muitos artistas que, não estando emparelhados uns com os outros, vão ter na mesma vontade de tocar juntos, até porque muitos deles já se disponibilizaram a tocar com qualquer artista do cartaz. Existindo esta disponibilidade dos artistas para partilhar o palco com qualquer pessoa, estão reunidas as condições para um bom espetáculo.

Não falte a este grande concerto! Os bilhetes, claro, estão em Ticketline.pt

Cartaz: 
Adolfo Luxúria Canibal
Fast Eddie Nelson
Frankie Chavez
Mazgani
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Scúru Fitchádu
Sean Riley
Señoritas
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Tó Trips