Mafalda Veiga convidou alguns amigos para subirem ao palco e levarem a festa aos públicos da Invicta (Coliseu Porto Ageas) e de Lisboa (Campo Pequeno), nos dias 12 e 13 de outubro, respetivamente. Dois concertos para comemorar três décadas de grandes músicas.

Olhando para trás, apetece recorrer a um lugar comum e dizer “parece que foi ontem”. A verdade é que já passaram 31 anos desde que as ondas hertzianas difundiram, pela primeira vez, vez o tema “Planície”. Com ele também a sonoridade folk, a frescura da voz e da poesia de Mafalda Veiga. Escolhida como single de apresentação de Pássaros do Sul, a canção tornou-se rapidamente um sucesso, que terá ultrapassado as expetativas da própria editora, com o álbum a chegar rapidamente ao quatro lugar do top nacional e a disco de prata, com mais de dez mil exemplares vendidos.

Estávamos no ano de 1987. Mas se esse foi o ano em que Mafalda se revelou ao país, a música revelou-se a Mafalda uns bons 10 anos antes. Tinha 11 quando o pai lhe ofereceu uma guitarra e o tio, Pedro da Veiga, guitarrista de fado, a ensinou a tocar e a introduziu na composição. Foi para aquele instrumento que canalizou a sua energia criativa durante a adolescência. Foi, aliás, nele que compôs a maioria dos temas que integraram “Pássaros do Sul”. Entre eles, a faixa intitulada Velho, a sua composição mais antiga, que data que data de 1983 e com o qual ganharia, no ano seguinte, o Festival da Canção de Silves.

Nesta entrevista, Mafalda Veiga conta que ainda guarda essa guitarra “cheia de autocolantes e de ótimas memórias”. Grandes memórias é o que Mafalda Veiga promete deixar, 12 álbuns depois de “Pássaros do Sul”, a quem assistir aos concertos de outubro no Coliseu Porto Ageas e no Campo Pequeno. Tocará pelo menos trinta canções, de todos os seus álbuns, com novos arranjos para banda, sopros e cordas.

Diz que os concertos de Lisboa e Porto são para comemorar e não para balanço. Pode levantar um pouco o véu sobre o tipo de festa podemos esperar?
Vão ser espetáculos únicos, construídos de raiz, em que vou tocar canções de todos os discos com novos arranjos para banda, sopros e cordas.

Quem convidou para estar consigo em palco nessas noites?
Convidei, para já, três amigos que adoro: o Jorge Palma, o Rui Reininho e o Miguel Araújo. O Miguel estará só no concerto do Porto, por motivos de agenda dele. Em Lisboa haverá um outro convidado que não posso ainda desvendar.

Qual o alinhamento que tem em mente para esses concertos?
Vou tocar pelo menos trinta canções escolhidas entre todos os meus discos. Espero que seja uma escolha bastante consensual, entre as canções que mais gosto e aquelas que sei que mais tocaram o público que me ouve.

Depois dos concertos do Porto e Lisboa, o que se segue?
Depois destes concertos vou continuar a fazer espetáculos e a trabalhar noutro disco para o qual tenho vindo a escrever ao longo do ano. No início do ano, deu concertos acústicos, agora regressa aos palcos com banda.

Qual, é para si, a grande diferença?
Na verdade, não há uma grande diferença. É só uma questão de maior ou menor intimidade.

O seu pai ofereceu-lhe a primeira guitarra aos 11 anos. Ainda tem essa guitarra?
Sim, ainda a tenho, cheia de autocolantes e de ótimas memórias.

Lembra-se da primeira música que tocou nela?
Não me lembro da primeira música que toquei. Mas, mais tarde, compus com ela a maior parte das canções que estão no meu primeiro disco.

As suas músicas estão repletas de sensibilidade e afeto. O que é que a inspira?
A vida de todos os dias inspira-me muito, as coisas pequenas que constroem o tempo, as conversas entre amigos, os filmes que vejo, os livros, mais ou menos tudo o que acontece pode ser inspirador e provocar uma canção.

O que mexe interiormente mais consigo escrevê-las ou cantá-las?
Escrevê-las é uma espécie de estado de graça que me fascina muito. Mas cantá-las para um público que tantas vezes as canta comigo é uma emoção incrível que nem sei bem descrever. Quando componho tenho sempre presente a vontade de comunicar e, por isso, acho que as duas coisas são faces da mesma moeda.

Precisa de se recolher para escrever? Tem algum “refúgio” preferido?
Gosto de poder escrever sempre que me apetece, ando sempre com uma caneta atrás (às vezes também com uma
guitarra) e qualquer lugar é bom. Hoje em dia, é simples gravar ideias num telefone, o som é ótimo e torna-se bastante fácil registar qualquer ideia para
uma canção.

Em 1983, compôs o seu primeiro tema (Velho), Pássaros do Sul saiu em 1987, Cantar, em 1988. Contas feitas, já lá vão 35 anos. Tem a sensação que o tempo passa a voar?
Passa rápido, mas quanto mais o preenchemos de coisas que amamos e nos fazem felizes maior

 

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