Começou em Sintra há nove anos, mas rapidamente chegou a outras cidades. O Misty Fest é um festival fora dos padrões habituais: decorre durante cerca de um mês, em diferentes salas, e com um estilo musical muito diversificado. António Cunha é o diretor do festival e, em conversa com a Ticketline, fez um balanço sobre os avanços e recuos do Misty Fest e sobre o objetivo que nunca pode ser perdido: o fator novidade em todos os espetáculos.

Como é que nasce o Misty Fest?
O Misty Fest nasceu já quase há uma década. A ideia era criar um evento a ser apresentado em salas. Queríamos apresentar uma mostra de teatro e música. Algo virado para a novidade, com músicas de autor. O evento começou em Sintra e a ideia inicial era manter o festival apenas na cidade, mas como perdemos alguns apoios
institucionais, tivemos que implementar algumas mudanças.

Passou por locais como o Porto, Coimbra, Algarve… O objetivo passa por descentralizar a cultura?
Não é propriamente uma questão de descentralização, mas sim de crescimento natural. Com o tempo fomos chegando a cada vez mais cidades. Agora estamos presentes em cerca de dez. Fizemo-lo para chegar a mais público e porque pretendemos aumentar a qualidade dos artistas de ano para ano. No passado, muitas das vezes não
conseguíamos trazer alguns artistas internacionais cá se nos concentrássemos apenas numa data ou um local específico. Tivemos que nos adaptar, até porque o Misty Fest é um festival sustentável que sobrevive, naturalmente, com algumas parcerias, mas sobretudo com o dinheiro da bilheteira.

O que distingue o Misty Fest dos restantes festivais de música?
O Misty Fest é um festival fora do convencional. Acontece em diferentes salas espalhadas por várias cidades do país, com uma mostra de novas músicas e de artistas que se apresentam em nome próprio. O Misty é ecléctico e focado em diversos estilos musicais, mas mais direcionado para um público adulto, que gosta efectivamente de música e não de entretenimento musical.

Ao longo dos anos, o Misty Fest ganhou cada vez mais popularidade e público. Qual é, na sua opinião, o motivo desse crescimento?
Acredito que seja por sermos um festival que tenta, realmente, apresentar novidades. Procuramos sempre que haja um motivo especial quando colocamos um artista no nosso programa – seja porque vem fazer a apresentação do álbum mais recente, do novo espetáculo, ou então porque se está a estrear em Portugal. Como temos este critério, as pessoas ficam curiosas porque sabem que vão assistir a algo inédito.

Como tem sido a receção do público português a este festival?
Bastante boa. Existem artistas com mais público, outros com menos, como é natural, mas estamos satisfeitos com a adesão dos portugueses ao festival. Atuamos em salas de diferentes tamanhos, mas a lotação-base com que gostamos de fazer o Misty Fest está na ordem dos 500 lugares.

O que mudou desde a primeira edição, em 2010?
Imensa coisa. A primeira edição era mais focada a nível de estilo. Procurávamos mais a questão dos autores, da palavra. Tal como já referi, o festival começou em
Sintra por ser uma cidade ligada à poesia e ao misticismo. Tinha um simbolismo que se associava ao festival. Com a perda de apoios em Sintra, fomos mudando-nos para cidades como Lisboa e Porto, o que acabou por ser bom. Nestas cidades conseguimos salas de outras dimensões e trabalhar com outro tipo de artistas.

Quais têm sido os maiores desafios que têm encontrado ao longo destes anos?
Os entraves económicos são mesmo os maiores desafios. Como estamos fora do leque de festivais de verão e temos os nossos espetáculos em salas é mais difícil encontrarmos patrocinadores e termos receitas. Não temos eventos com grandes multidões, mas conseguimos juntar entre 15 a 20 mil pessoas por ano no Misty Fest. A diferença é que, em vez de ser um evento de dois dias, acontece várias vezes por mês.

A música contemporânea, os concertos únicos e os convidados especiais são o destaque deste festival. Quais são as grandes preocupações e objetivos do Misty Fest na elaboração do cartaz?
Pretendemos que os concertos tenham um cunho muito próprio e diferenciador. A nossa missão é, tendo em conta os orçamentos e o próprio calendário dos artistas, conseguirmos os nomes que pretendemos de diferentes géneros. Não queremos concorrer contra nós mesmos. Se todos os dias tivéssemos espetáculos do mesmo estilo, estaríamos a trabalhar constantemente para o mesmo público. Queremos abordar diferentes franjas – que passam pelo jazz, a música clássica ou o indie mais acústico. O estilo de música acaba por ser secundário, desde que consideremos que os artistas têm qualidade.

Quais são as expectativas para este ano?
Esperamos uma edição nos mesmos moldes do ano passado, com uma boa abertura por parte do público, que têm apreciado os espetáculos que temos disponibilizado. Vamos ter 15 artistas, todos muito diferentes, que vão dar concertos impressionantes, alguns deles em linhas muito diferentes, até difíceis de catalogar.

Já há planos para uma nova edição?
A próxima edição será ainda mais especial, por se tratar da décima. Já estamos a avançar com o planeamento para gerirmos o calendário das salas com a disponibilidade dos artistas da melhor forma. Queremos reunir o melhor cartaz possível e estamos a trabalhar nesse sentido.

CASA DA MÚSICA                                                                       
31 de outubro Scott Matthew
4 de novembro Anna Von Hausswolff
12 de novembro PianOrquestra
15 de novembro Andrea Motis
20 de novembro Avishai Cohen Trio
21 de novembro Danças Ocultas

TEATRO TIVOLI BBVA
31 de outubro Birds on a Wire
1 de novembro Anna Von Hausswolff
3 de novembro Danças Ocultas
4 de novembro Scott Matthew
11 de novembro Fernando Cunha

CENTRO CULTURAL DE BELÉM
6 de novembro PianOrquestra,
22 de novembro Avishai Cohen Trio

CINEMA SÃO JORGE
18 de novembro Will Samson

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