O espectáculo de circo contemporâneo “Mundo Interior” ocupa o Teatro Aveirense este sábado.

Este espetáculo surge de um sonho antigo de João Garcia Miguel e João Paulo Santos. Um sonho tão longínquo quanto o tempo em que João e João se encontraram no Chapitô, enquanto professor e aluno. Jalâl Rûmi, a quem pedem emprestado o título da peça, diz-nos que a palavra nos incita à procura; não que a coisa procurada seja obtida pela palavra. A palavra é como uma coisa que se agita ao longe como uma miragem ou uma bandeira que nos chama além no deserto.

Corremos por isso atrás das palavras. Fazemos escorrer palavras de dentro de nós. Fazemos as palavras correr à nossa frente. Corremos atrás das palavras para ver o que se agita lá longe. Mas não é por causa do movimento das palavras que vemos melhor o que nos rodeia e o fundo interior de onde eles emanam. A palavra incita, fustiga a procurar o seu significado e aquilo que na verdade a provocou. Mas, ao mesmo tempo que procura revelar, a palavra esconde as coisas de onde vem. A palavra é uma capa que cobre, é uma forma de ocultar a força, o estímulo, a energia, as ideias, o coração. A palavra é um oculto.

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