José Pedro Gomes e José Raposo são caras conhecidas da comédia nacional mas em Ñaque mostram-nos outro lado da sua arte. A peça vai estar no Teatro Villarett entre 15 de Março e 27 de Maio, de Quinta-feira a Domingo.

20 anos depois juntam-se em palco.
José Raposo: Sim, depois da única vez trabalhámos juntos, em 1991, numa peça do Tom Stoppard que chamada “Depois de Magritte”. Claro que nos conhecemos há muitos anos, desde sempre, e somos amigos. Mas, em termos de palco, foi de facto a única vez. Foi uma experiência fantástica. Foi com ele, o António Feio, a Cláudia Cadima e a Maria José, que fizemos essa peça, que era uma comédia com meia-hora, uma coisa muito engraçada, feita ao meio-dia numa galeria do Centro Comercial das Amoreiras. (risos) Foi assim uma experiência completamente fora do esquema normal do teatro em Portugal. Temos uma relação muito próxima, de grande cumplicidade.

Então deve ser uma sensação voltar a trabalharem juntos ao fim deste tempo todo.
José Pedro Gomes: O reencontro em palco, ao fim deste tempo todo, está a ser muito bom, como se previa. Eu tenho uma grande admiração pelo José Raposo, pelo trabalho dele, e nós há anos que andávamos a dizer que tínhamos de trabalhar juntos e isso nunca se proporcionou. Mas chegou a hora.

Parece-me que é uma peça bastante recursiva, porque acaba de falar da vida dos próprios actores.
JR: É um texto sobre nós. O que é muito engraçado, porque tem várias mensagens para o público em relação ao que é o actor. É um texto bem acessível, baseado num de Agustín de Rojas Villadandro chamado “El viaje entretenido”. Uma visão que no fundo é eterna. Eu, já agora, posso dizer a definição de José Sanchis Sinisterra do Ñaque, para as pessoas perceberem: “São dois homens que fazem um trecho dum auto, um entremês e dizem umas oitavas e duas ou três loas. Cobram a oitavo, vivem contentes, dormem vestidos, comem como esfomeados, despiolham-se no verão entre os trigais e, no inverno, com o frio, não sentem os piolhos”.

Resume a vida de actor?
JR: É sobretudo isso, a vida dos actores. E é intemporal, porque isto já remonta a séculos atrás. No fundo é essa definição do que é o actor, que é vem duma situação efémera, de sempre. Porque acaba no momento em que termina a sua representação e recomeça quando faz outra. Tem uma alusão muito engraçada ao público, que diz que o público é um ser múltiplo e desconhecido, que está sempre ali na sombra da sala, que só escuta e olha.

Imagina que as pessoas vão ser surpreendidas por esta peça.
JPG: Até porque podem esperar um registo completamente diferente daquele que esperam do José Gomes e do José Raposo.

JR: Tanto ele como eu somos mais conhecidos dentro de uma linha mais cómica, que isto também tem. No fundo, acaba por o ser. Mas tem ali momentos de reflexão, o público é surpreendido constantemente. É para rirem mas também tem uma forte mensagem.

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