COM UMA ESCRITA que remete para a reflexão sobre os valores e princípios da sociedade, “Fim de Partida” conta com quatro pessoas em cena: Clov, Hamm e os seus pais, que estão presos em caixotes do lixo.

As personagens vivem presas num bunker, num cenário pós-apocalíptico, com sérias deformidades e sem esperança. A dinâmica entre as duas personagens principais – Clav, que não se pode sentar, e Hamm, que está paralisado –, é o motor do espetáculo. O diálogo, o jogo e a repetição são os únicos meios de sobrevivência face à incógnita do que se passa no mundo lá fora, cinzento e presumivelmente sem vida. A manipulação, a dependência e a submissão são as características que marcam a ligação dúbia e disfuncional entre Clav e Hamm. “Fim de Partida” usa o humor negro para fazer rir a plateia, demonstrando que “nada é mais engraçado que a infelicidade”, como indica uma das falas da peça.

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