O improviso da Commedia a La Carte “Os melhores do mundo” está em exibição no Teatro Villaret em Lisboa até dia 26 de novembro. Depois segue para o Teatro Sá da Bandeira, no Porto. César Mourão, Carlos Cunha e Gustavo Miranda entregaram-se às nossas perguntas de alma e coração numa conversa que foi, também ela,um improviso.

Dos três, quem é o melhor do mundo?
César: eu acho que é o Gustavo
Gustavo: eu acho que é o Carlos
Carlos: eu acho que é o César
César: Eu acho que é o Gustavo porque ele é do mundo, nasceu na Colômbia, vive em São Paulo, trabalha frequentemente no Rio de janeiro e também trabalha frequentemente em Portugal connosco, o que faz dele o único do mundo … já nós nem tanto, já fizemos no Brasil(Alentejo também por exemplo) mas pouco mais.
Gustavo como é trabalhar com os melhores do mundo?
Gustavo: Estou feliz, tem sido incrível. É um espetáculo maravilhoso, o público é muito bom, começámos na semana passada e tem sido muito bom trabalhar com alguém que conhece bastante o que faz.
Quais são as principais diferenças que notou entre o público Português em comparação com o Brasileiro e Colombiano?
Gustavo: O público português é mais calmo, mais elegante. Na sensação, nas coisas que fala e como as diz. É mais tranquilo do que na América Latina onde o público grita mais e fala mais rápido porque querem ser mais criativos. Mas não é melhor apenas dá mais opções para improvisar. Aqui o público é mais fechado.
Vocês que já estiveram no Brasil, têm a mesma perceção?
César: Sim, com certeza, não fazendo distinções entre melhor ou pior público porque isso não existe, eu acho que o público português é mais exigente “Eu paguei, então exijo um bom trabalho e profissional“, no Brasil não tanto, é um público mais caloroso portanto se for um espetáculo “menos bem”,tudo bem, acontece… o público é mais aberto, mais brincalhão, o que tem coisas melhores e piores.

Diogo Vilhena

Diogo Vilhena (dmindslap)

Gustavo há algum tipo de dificuldade na hora do improviso já que as exigências e o
mindset do público são diferentes?

Gustavo: O maior problema é a língua… pelas palavras, referências culturais, nomes de pessoas e personagens que eu não conheço. De resto a nível de improvisação, nós os três falamos essa língua.
César e Carlos, esse espetáculo vai retribuir a visita dos Colombianos e Brasileiros
que vão para lá também, está programado algum tipo de visita?

Carlos: Não está programado, mas também não está fora de questão que aconteça, talvez este seja
já o segundo passo para que isso aconteça, teremos de aperfeiçoar o nosso castelhano.
César: No caso da Colômbia sim, sem dúvida. No caso do Brasil, mesmo sendo Portugal um país situado na união europeia, nós somos muito voltados para o Brasil. Em Portugal conhecemos muito bem a sua cultura, os pratos, a música, as novelas, os atores e os respetivos apelidos, onde moram… Mas o Brasil não faz o mesmo connosco, porque também é um País muito maior, mas na minha perspetiva isso também está a mudar. Eles já começam a conhecer os nossos artistas como António Zambujo, Carminho,Ricardo Pereira, Joana Solnado, entre outros. Acho que já pode começar com o humor também.Nós sabemos muito do humor brasileiro, e o humor brasileiro era bom que soubesse mais de nós.
O que é que diferencia este espetáculo dos restantes?
Carlos: Todo ele. Umas das coisas boas que conversámos e aliás uma das propostas do César foi – tendo nós a possibilidade de ter uma pessoa como o Gustavo, e já trabalhámos com o Marco e sabemos o que é que ele vale e como é que ele pode apertar connosco em termos das suas características como improvisador.
Gustavo: Eles foram muito generosos, eu estava muito assustado em saber onde iria atuar, mas depois de falar com o César sobre as cenas e os jogos que eu gostava, eles adaptaram o espetáculo muito generosamente para mim.
Poderão fazer o melhor convite do mundo?
César: Citando Raul Solnado: o discurso grande é “obrigado” e o muito grande é “muito obrigado”, e aqui é igual; “venham” é o melhor convite.