Tem o trono do reggae em Portugal mas ambiciona por mais. A sua nova mixtape, “Lisboa”, revela uma sonoridade renovada, passo-a-passo com as tendências mundiais, sem nunca esquecer as suas raízes. Orgulhoso, vai apresentar esta maturação do seu som pisando pela primeira vez o palco do Altice Arena no dia 2 de Fevereiro. A Ticketline conversou com ele para descobrir um pouco mais.

Tu participaste, em 2011, no Festival Termómetro. De certo não consideravas chegar ao Altice Arena nessa altura.
(risos) Pois é, o que tu me foste lembrar. Eu acho que esperar, esperava. Senão não tinha tido a motivação e a vontade para cá chegar. Já foi há algum tempo e nessa fase era completamente diferente. Foi trabalho e um bocado de sorte.

Uma das maiores salas portuguesas e a maior que já tocaste no nosso país.
Vai ser especial pela dimensão e também por causa da fase em que eu estou. A minha primeira música que teve mais sucesso foi para aí em 2011 e desde aí já passaram quase 7 anos. Já não sou aquele artista novo que as pessoas começaram a ouvir agora. E para mim é muito mais importante conseguir fazer uma sala destas nesta fase do que quando era novidade. Acho que é muito mais complicado manter uma carreira e as pessoas interessadas, aa quererem-te ouvir ao fim de tanto tempo.

Sobretudo com esta evolução na tua sonoridade, com mais rasgos de R’n’B e Dancehall.
Sim, também por causa da transição de sonoridade que estou a fazer agora, estou cada vez mais a encontrar um género único e meu. Tudo isso contribui para que esta fase seja muito importante.

E, de apoio a este crescimento, temos a editora e agência que ajudaste a fundar: Bridgetown.
Exacto, isso foi um dos projectos que fiz aparte da minha carreira pessoal, nos últimos anos. Aplicar o que aprendi, em conjunto com o meu manager e melhor amigo. Criámos isto tudo juntos. O que aprendi ao passar várias barreiras no negócio da música, de aprender como as coisas funcionam. Pegar nesse conhecimento e aplicar a novos artistas com os quais queiramos trabalhar e tenham a ver com a nossa identidade também. Trabalhamos com o Dengaz, Plutónio e o Mishlawi. Entretanto juntámos um amigo nosso e temos uma parte de comédia, onde temos o Luís Franco Bastos e o Pedro Teixeira da Mota. A ideia é usar a nossa visão para o entretenimento, que é um bocado diferente do tradicional que se faz cá, e aplicar aos nossos artistas todos.

Sendo que tens uma carreira de alguns anos, apanhaste a transição para a dominância do YouTube na música. Há aqui uma mudança, para além do teu som, de paradigma do que as pessoas procuram e da forma como consomem as coisas.
Bem verdade. Mas o meu primeiro álbum, pu-lo na internet grátis. Na altura fui dos primeiros gajos a fazer isso. Como um gajo da geração da internet já não percebia muito bem a importância das editoras, que agora voltaram a ganhar um espaço por streaming. Mas eu acho que o que ficou, e não é novidade para ninguém e é bom para os artistas, é que o poder está nos artistas e nas pessoas. Quem decide o que se ouve são as pessoas. Se tu quiseres por uma música no Youtube e as pessoas gostarem, ninguém te pode parar. Claro que as editoras ainda têm muito poder mas eu acho que é recompensado o talento e o trabalho. Quando há público não há como o esconder.

Sei que o produtor Lhast é uma peça fundamental nesta tua nova mixtape e nesta sonoridade, um produtor que está está num bom momento.
Sem dúvida! Eu conheço-o há quase 10 anos, quando nós íamos a concertos de soundsystem de reggae juntos. É muito engraçado agora, anos depois, ele estar nesta fase, eu nesta, e conseguirmos fazer isto juntos. Isto veio muito de um processo que começou há 2 anos, de construir um estúdio na minha casa e começar a fazer as minhas próprias produções à procura desse som especificamente meu. Quando cheguei ao início deste ano, tinha uma data de músicas mas não sentia ali uma coerência. A única coisa que eu sabia era que a música que tinha corrido melhor tinha sido produzida por ele e que tinha uma tinha uma data de instrumentais dele para trabalhar. Então, o que acabamos por fazer foi pegar nestas músicas que fiz nestes últimos 2 anos e juntar mais umas dele. E ele acabou por dar uma coesão a uma coisa que se chama “Mixtape” precisamente por causa dessa misturada toda. Mas acho que ele acabou por tornar aquilo quase num álbum.

Acabaste por não dizer se estás a esconder alguma surpresa para este concerto.
(risos) Eu vou ser muito sincero. Normalmente o pessoal quando faz concertos destes diz sempre: “Vou ter este convidado ou aquele”. Eu quero mesmo que as pessoas apareçam para me ver a mim, o Mishlawi que vai abrir e para ouvir músicas antigas e as novas da mixtape. Claro que vai haver surpresas, o concerto tem que ser um concerto especial, mas eu prefiro que não sejam o gancho que faz com que as pessoas apareçam.

 

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