CRÓNICA

Dezembro/2016

O teatro é um sítio mágico, é uma experiência incomparável. O ambiente que se cria não se faz apenas dos intervenientes no palco, mas sim de cada alma presente na sala, da primeira à última fila.

Quando nos sentamos para assistir a um espetáculo, somos um com cada ator, um com cada bailarino, um com cada figurino. A dança entre as luzes, o som e o movimento no palco cria uma lança que nos atravessa a alma e o pensamento. Somos nós e a arte.

O teatro quebra barreiras, a revista enquanto barómetro social e político foi e é o maior exemplo disso. Nos últimos anos, estiveram em cena peças que retratavam a ditadura da imagem, a dependência dos gadgets e tantos outros problemas sociais de uma forma absolutamente deliciosa; ligeira mas tão real. O palco é um sítio maior, onde a verdade é dita de forma séria, mas muitas vezes a brincar.

Infelizmente em Portugal já houve alturas em que os teatros deixaram de ter tanta audiência e é de aplaudir de pé os artistas que não desistiram desta arte e reinventaram-se. As camadas mais jovens podem não se sentir atraídas por Shakespeare, mas não perdem um espetáculo de stand-up comedy. É mágico sentir uma sala inteira a rir, ver pessoas completamente desconcertadas a contorcerem-se na cadeira para tentar rir mais baixinho.

Mas é preciso que as autarquias percebam que investir nos seus teatros é investir na cultura local e nacional, é investir nas pessoas, é investir no bem-estar dos cidadãos, é fazerem aquilo para que foram eleitos, servir o povo.

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 Rute Sousa

CONSULTORA DE COMUNICAÇÃO