O que se vai passar em palco e a realidade de muitos casais não é mera coincidência… a partir de dia 11 de outubro, o Teatro Villaret recebe os vizinhos de cima, uma comédia que toca com humor, alguma dor e um certo carinho a ferida.

Uma noite, um casal (Fernanda Serrano e Pedro Lima), já na fase amarga da monotonia do casamento, recebe a visita dos vizinhos do andar de cima (Ana Brito e Cunha e Rui Melo). À medida que a noite e o convívio avançam, os vizinhos de baixo vão descobrindo as tendências sexuais dos de cima, incitando-os, assim, a repensar, até ao limite, a própria relação e a tomar decisões definitivas. O desenlace? Esse só sabemos momentos antes de cair o pano, mas, questionados pela Ticketline Magazine, os atores desvendam alguns pormenores.

Os vizinhos de baixo vivem juntos há muitos anos e têm conseguido arrastar a vida conjugal, aplicando uma fórmula que funciona. No entanto, como observa o ator Pedro Lima, “para quem está de fora, têm tudo para dar errado”. Estão, por assim dizer, na sua zona de conforto e “naquela noite, a visita dos vizinhos de cima vai obrigá-los a sair dessa zona de conforto e a questionarem-se sobre o que poderão fazer para tornar a sua relação menos tóxica”.

Os vizinhos de baixo, vivem uma realidade presente na vida de muitos casais. “A falta de tempo, de resiliência, de foco, de tolerância e o uso excessivo de plataformas de comunicação digitais incentivam ao fracasso e à falta de comunicação e de empenho por parte dos elementos em salvar uma relação doente, que se tornará invariavelmente moribunda, se nada em contrário for feito”, explica Fernanda Serrano.

É aí que os vizinhos de cima tocam à campainha e entram, destabilizando aquele rame-rame. “A ideia inicial da visita é funcionar como o rastilho (e o combustível) da relação dos de baixo, no melhor dos sentidos”, explica Rui Melo. “No fundo, os de cima querem levar-lhes um pouco de calor humano. Puro altruísmo ou, talvez, um pouco mais do que isso… No entanto, rapidamente percebem que uma proposta desinibida, pode trazer consequências complicadas”, adianta.

Se esta história escrita pelo catalão Cesc Gay tem alguma moral, esta pode assumir os contornos do conselho que Ana Brito e Cunha daria a uma amiga real em situação idêntica à da sua vizinha fictícia: “A vida é curta e já se perde tempo com tantas pequenas coisas. Se realmente dermos importância ao que é mais importante, tudo melhora. Em relação aos nossos (aqueles com quem vivemos e estão mais perto de nós), como já não fazemos cerimónia, às vezes esquecemo-nos de que são esses que realmente devemos mimar, ouvir e acarinhar. O amor é sempre o melhor remédio.”

Esta comédia não prova a possibilidade de uma relação moribunda ser resgatada com ironia e sentido de humor. “Mas oferece a possibilidade de fazermos uma reflexão bem-humorada sobre o que é a dormência de uma relação longa e de como a vida pode tornar-nos menos disponíveis para o que realmente importa – o amor”, conclui Rui Melo.

Esta é, em traços largos, a trama da peça Os Vizinhos de Cima, escrita pelo cineasta catalão Cesc Gay e vai estar em cena, no Teatro Villaret, a partir de 11 de outubro, contando com um elenco de luxo e a encenação de Maria Henrique.

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