“Foi a primeira vez que consegui ter sucesso sem me despir”

AVENIDA Q é o musical mais estúpido e genial de todos os tempos, uma Rua Sésamo em esteróides, que junta à estética Muppets uma linguagem tão adulta, que só funciona mesmo porque a vida é uma longa marcha de tédio em direção à campa. Ah, e porque as músicas são bestiais. Entrevistámos Paula, a porca – ou pelo menos tentámos, e o resultado está à vista de todos. Antes de começar a ler pedimos alguma cautela e que respire fundo três vezes, a Paula é uma porca!

AVENIDA Q está em cena no Auditório dos Oceanos no Casino de Lisboa até 15 de outubro e a 11 de janeiro vai para o Teatro Sá da Bandeira. Não pode perder esta história de alucinados e que promete arrancar-lhe dezenas de gargalhadas.
Como surgiu o convite para entrar neste musical?
Não surgiu, fui eu que fui ter com o produtor. Fechei-me com ele numa casa de banho com um corpete e um pompom de marmota e deixei a magia acontecer naturalmente.
No musical qual é a sua parte preferida e porquê?
É o final, quando volto para casa. Porque eu vou e venho todos os dias para Gondomar para atuar num bar erótico-badalhoco, o Refegos Lounge.
Estava à espera de todo este sucesso?
Não. Foi a primeira vez que consegui ter sucesso sem me despir. É estranho, sinto-me assim tipo doutora.
Qual é a expetativa para a próxima temporada?
Esgotar a sala e tirar uma selfie ao colo do Marcelo.
Fale-nos um pouco de si Paula. Quem é? O que a move?
Para já, sou uma mulher com valores: 500 Euros, três posições, meia hora. O que me move são os desafios, a vontade de fazer melhor e juntar di- nheiro para comprar um duplex em Gaia.
Qual o conselho que daria às várias “Paulas” da vida?
Não sejam porcas umas com as outras.
Vários temas abordados são bastante sérios. Como é falar destes assuntos de uma maneira tão cómica?
É bom porque sei que chegamos a mais pessoas. Ontem, por exemplo, recebi um mail do Guterres a dar-nos força para continuar. E a cravar bilhetes. Mas mais a dar força.
Como tem sido a experiência de contracenar com o restante elenco?
Não faço ideia, que eu quando entro em palco não vejo ninguém. Sou uma loba com conjuntivite.
Para os nossos leitores que ainda não viram a peça, diga-lhes porque devem ver.
Porque para me verem a dançar fora daqui têm de comprar uma garrafa de champanhe. E além disso tem bonecos a pinar que, para mim, é cultura.

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