Foi carinhosamente apelidado do Pai do Rock pelo público português. Com mais de 35 anos de carreira, leva no dia 5 de Maio ao Multiusos de Guimarães toda a sua experiência e um infindável de êxitos que fazem parte do cancioneiro nacional.

Há mais de 35 anos foi o rastilho que era necessário para o “boom do Rock Português”. Deu-se a conhecer a Portugal com “Chico Fininho” e, desde então, foram muitos os seus discos e canções que marcaram várias gerações. “Já são muitos anos dedicados sempre à mesma coisa, com muitas centenas de milhares de quilómetros feitos, e sempre a ser escrutinado cada vez que saio à rua”, confessou-nos Rui Veloso. E mesmo com este leque de sucessos, assume que não se conforma e não se restringe apenas ao seu rico passado: “Até pode ser que um dia destes saia qualquer coisa diferente. (risos) Um gajo tem uma certa idade mas ainda pode, e quer, fazer outras coisas. É normal que eu tenha outros interesses. Mas em breve vou acabar aqui 2 ou 3 temas que tenho, que ainda não estão prontos”. Há vários factores para a demora no aparecimento de novos trabalhos mas , tal como nos explicou, uma das principais razões para a demora foi “não aparecerem letras do Carlos Tê”, um complemento da sua música. Uma chatice que deixou a música portuguesa mais pobre.

A idade é um posto, mas nem por isso se conforma com isso. Durante estes muitos anos em que pegou na guitarra e se fez à estrada, a música foi evoluindo, refrescando sempre a sua sonoridade. Mesmo sendo a gravação um quadro que já foi acabado de pintar, em concerto dá sempre para dar uns novos retoques, “fazer uns arranjos diferentes, meter mais ou menos vozes, mais teclas ou menos guitarras. Esse tipo de coisas. É giro ir mudando porque até a nós, que as tocamos e que as ensaiamos, nos sabe diferente. Nós também nos queremos surpreender com um arranjo novo, que torna as coisas sempre diferentes. É sempre uma experiência muito única e muito pessoal. Sou eu que canto, sou eu que toco, que faço os arranjos. Elas mudam sempre alguma coisa. Uma pessoa tem que as renovar um bocado”, explica o cantor.

É esta renovação sonora que assume o concerto no Multiusos de Guimarães, no próximo dia 5 de Maio, onde se viajará pela sua carreira, com um renovado olhar por todas aquelas canções que fizeram parte de momentos importantes da nossa vida. Músicas como “Anel de Rubi”, “Não há estrelas no céu”, “Porto Sentido”, “Porto Covo” e muitas outros emblemas da música popular portuguesa. E, ainda por cima, com muitas surpresas na mistura, tal como nos revelou o próprio: “Nós vamos tocar muitos temas que o pessoal provavelmente já não se lembra, e outros com arranjos que vão surpreender”.

Ficam as dúvidas de quais serão as escolhas menos óbvias que nos irá presentear, mas acaba por nos dar uma pista do que poderemos esperar, “também vai ter muitas coisas que eu não toco há algum tempo. Alguns dos temas do “Auto da Pimenta” que é raro tocar. Até eu fiquei surpreendido por terem aparecido as coisas dessa maneira!”.

Será, por isso mesmo, a oportunidade perfeita para redescobrir o trabalho do Rui Veloso, de ouvir aquelas músicas que todos conhecemos e outras das quais já não nos recordamos. Entre sorrisos, e com aquela segurança de quem já faz isto há muito tempo, calejado pelo tempo, resumiu o concerto de Guimarães: “A música dá para muita coisa e mesmo com roupa velha conseguimos fazer uma bela refeição”. E se for dos nossos pratos favoritos ainda melhor.

Rui Veloso

Ao fim de tantos anos de carreira, já está satisfeito com o trabalho que fez?
Mais ou menos, até pode ser que um dia destes saía qualquer coisa diferente. (risos) Até estou um bocadinho, já são muitos anos dedicados sempre à mesma coisa, com muitas centenas de milhares de quilómetros feitos, e sempre a ser escrutinado cada vez que saio à rua. Um gajo tem uma certa idade mas ainda pode, e quer, fazer outras coisas. É normal que eu tenha outros interesses. Mas em breve vou acabar aqui 2 ou 3 temas que tenho, que ainda não estão prontos. Tenho tido alguma dificuldade em acabar dos temas. Estou a trabalhar neles com um amigo meu músico do norte, que também tem muitas coisas para fazer. Às vezes é complicado conciliar agendas para ele vir até cá a baixo. Ele ainda por cima é músico de orquestra, tem muitos compromissos. Tenho andado intermitentemente, no meio das viagens, vou trabalhando com ele. Aquilo vai ser giro, é diferente. Também demora mais pelo facto de não aparecerem letras do Carlos Tê, que era um complemento da minha música. Eu não canto qualquer coisa.

Claro, foram muitos anos e muitos clássicos na companhia dele. Estas músicas todas antigas, que tem tocado ao longo destes anos todos nos concertos, elas mudaram muito na estrada?
Elas mudam sempre alguma coisa. Uma pessoa tem que as renovar um bocado. Fazer uns arranjos diferentes, meter mais ou menos vozes, mais teclas ou menos guitarras. Esse tipo de coisas. É giro ir mudando porque até a nós, que as tocamos e que as ensaiamos, nos sabe diferente. Nós também nos queremos surpreender com um arranjo novo, que torna as coisas sempre diferentes. É sempre uma experiência muito única e muito pessoal. Sou eu que canto, sou eu que toco, que faço os arranjos.

Este concerto em Guimarães parece-me justamente isto, uma retrospectiva desta carreira cheia de músicas que todos conhecemos.
Também vai ter muitas coisas que eu não toco há algum tempo. Alguns dos temas do “Auto da Pimenta” que é raro tocar. Até, a conselho do meu filho, tenho uma ideia de fazer um “Auto da Pimenta” ao vivo, que nunca o fiz. Nós vamos tocar muitos temas que o pessoal provavelmente já não se lembra, e outros com arranjos que vão surpreender. Até eu fiquei surpreendido por terem aparecido as coisas dessa maneira! (risos) A música dá para muita coisa e mesmo com roupa velha conseguimos fazer…

…uma bela refeição.
Pois, exactamente. Roupa velha é sempre uma boa refeição. (risos)

 

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