Selfie foi a palavra do ano em 2013 e, desde então, parece ser premissa para toda esta era tecnológica. Em 2018, há quem diga que a maioria das contas de rede sociais assemelham-se às das marcas, activações de marketing pessoal. Na era da selfie somos nós quem selecciona como queremos ser vistos pelos outros, somos o fotógrafo, modelo e publicitário.

É difícil saber quem inventou este estilo fotográfico mas, no século XVII, Rembrant deu os primeiros passos, pintando um total de 64 auto-retratos. Tentámos, mas até ao fecho desta edição não foi possível confirmar se foi porque ficou mal nos anteriores 63. Quem nunca tentou várias vezes até chegar à fotografia perfeita?

Era tomada como uma moda passageira, mas desde que foi palavra do ano até aos dias de hoje que continuam a ser tiradas em grande número. E, acredite ou não, são tiradas por dia 1 milhão de selfies. Quererá isto dizer algo sobre a sociedade contemporânea?

É sobre este assunto que trata de reflectir ‘Selfie’, a peça de teatro que no Brasil já percorreu dezenas de cidades e teve mais de 200 mil espectadores. Uma comédia brasileira de sucesso que poderá agora ser vislumbrado pelo publico português, encenada por Marcos Caruso e interpretada por Miguel Thiré e Mateus Solano.

Nela podemos descobrir Cláudio, um homem viciado nas redes, armazena a sua vida inteira em computadores, redes sociais e nuvens. Depois de lutar por encontrar para uniformizar e ter toda a informação num só sistema, vê o seu sonho a ir por água abaixo. Ou melhor, por café a baixo, pois foi precisamente o seu derrame na tal máquina que fez com que toda esta informação preciosa se perdesse. Como é que resolvia esse problema? Talvez da mesma maneira que o protagonista faz, tentando falar com os seus amigos. Eles podiam levar isso a mal, claro. Mas quem procura um amigo sem defeitos, fica sem amigos. Não é?

Selfie estará no Tivoli BBVA em Lisboa de 7 a 18 de Fevereiro, todos os dias com excepção da segunda e terça feira. Depois no Teatro Sá da Bandeira no Porto de 22 a 25 de Fevereiro. Promete fazer as pessoas, mas também a reflectir sobre estes tempos modernos.

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