Manel Cruz, À Sombra do Cristo Rei, Xutos e Pontapés, Sean Riley & The Slowriders, e Sam Alone: guitarras, vozes afiadas e canções para todos, em três dias de concertos.

Manel Cruz, um momento alto garantido!

Se procurarmos expoentes para a geração de 90, um nome certamente consensual será o de Manel Cruz: trata-se de um dos mais celebrados escritores de canções da sua geração, sobretudo pela obra que deixou em Ornatos Violeta, que assegurará um dos momentos altos do festival, quando subir ao palco d´O Sol da Caparica no dia 12.
Na sua longa bagagem há não apenas hinos incontestáveis como “Punk Moda Funk”, “Ouvi Dizer” ou “Capitão Romance”, clássicos dos Ornatos Violeta, como todo o restante material que gravou com os projetos Supernada ou Fogefogebandido e Pluto, facetas variadas de um prisma precioso que em palco consegue congregar energias, públicos e gerações inteiras. Porque as suas canções chegaram de facto a toda a gente e a todo o lado.
Manel Cruz escolheu O Sol da Caparica para desvendar novas propostas. Imperdível!

Uma especial homenagem a Almada

“E depois À Sombra do Cristo Rei vai ser muito especial”, assegura Tim. O grupo que formou com os filhos Sebastião e Vicente e ainda com Nuno Espírito Santo assinou uma sentida homenagem musical a Almada explorando o cancioneiro que grupos históricos como os UHF ou os Da Weasel inscreveram neste território particular.
“O António Manuel Ribeiro e o Carlão acabam por ser dois pilares do projecto e depois de terem marcado presença nos concertos da Incrível Almadense vão subir aqui ao palco connosco. Depois, de Londres, virá a Midus, dos Roquivários, para tocar o “Cristina” e o “Ela Controla”, o que será fantástico. E ainda teremos o João Cabeleira porque também tocamos uma música dos Xutos”.
Tim vai ter a vida agitada n’O Sol da Caparica. O músico veterano vai tocar em três contextos diferentes: “Vai ser giro”, começa por nos garantir. “No dia 10 os Tais Quais vão abrir o Palco SIC / RFM e nesse mesmo dia fecharemos o Palco Blitz com À Sombra do Cristo Rei. E depois, claro, ainda haverá Xutos no dia 11″.

O Alentejo dá à Costa n´O Sol da Caparica.

Os Tais Quais são o supergrupo de Vitorino, João Gil, Vicente Palma, Tim, Celina da Piedade, Paulo Ribeiro e Sebastião Santos, gente de proveniências musicais muito diferentes, mas que encontrou um território comum de canções, que João Gil já garantiu fazerem festa rija. As violas, o acordeão, a percussão, quem sabe uma viola campaniça e um coro de arrepiar fazem parte do código genético de um grupo que faz música de inspiração popular, com canções que todos podem cantar, que dizem coisas concretas e reais e que ainda inspiram um pézinho de dança no momento certo.

Promessa de um espetáculo para a memória

E por falar em Xutos e Pontapés, que serão um dos pontos altos do cartaz de dia 11, Tim abre o jogo: “Andamos a tocar dois temas novos, o “Alepo” e o “Mar de Outono”, uma balada muito fora e muito bonita. E se calhar ainda tocaremos um tema novo que fizemos para um filme do Joaquim Leitão. E, claro”, conclui o músico, “ainda deveremos fazer parte do concerto acústico com que temos andado na estrada”. Com tantas frentes de combate, ainda há espaço para nervosismos: “Eu ao todo vou tocar com 11 ou 12 músicos diferentes neste festival. Há em todos os projectos um tronco comum da língua portuguesa, mas depois cada um tem a sua personalidade. Já sei que dia 8 vou ensaiar com toda a gente. Vão ser dois dias muito engraçados. E claro que ainda deixam um certo nervoso miudinho”.

Puros “rockers”

No dia 12 subirá também ao palco d` O Sol da Caparica, Sean Riley & The Slowriders, um dos expoentes da cena indie nacional do presente, que este ano vêm o já clássico Farewell celebrar uma década e que ainda o ano passado editaram o seu quarto álbum de originais, sinal claro de que esta tem sido uma viagem proveitosa em termos criativos e que, claro, tem colhido os favores do público. E tanto Manel Cruz como Afonso Simões de Sean Riley estarão em conversa com Rui Miguel Abreu no espaço Debaixo da Língua, nesse mesmo dia 12: ambos contribuíram para o mais recente volume da série, livro que será lançado durante o festival.

Que se ouçam as guitarras na Caparica!

Sam Alone, homem que sabe com quantas malhas de guitarra se conta uma grande história, fecha o leque destes grandes homens de guitarras e canções que este ano têm lugar no cartaz d’O Sol da Caparica. Acompanhado pelos Gravediggers, Sam Alone tem vindo de forma tranquila a construir uma bastante elogiada carreira, apoiada numa visão particular do grande legado musical americano, da folk e dos blues ao rock and roll primitivo e daí em diante até às grandes vozes que nunca deixaram de colocar a América em sentido, como Dylan ou Springsteen. Tougher Than Leather é o seu mais recente trabalho, uma coleção de canções apoiada na sua “working class rifle”, uma velha guitarra “áspera”, como ele próprio a descreve, de onde arranca não apenas melodias e riffs musculados, mas também histórias e paisagens carregadas de imagens com que todos conseguem relacionar-se.

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