Carlos do Carmo e Raquel Tavares são as vozes que vão encerrar as comemorações dos 125 anos do Campo Pequeno.

Espaço que foi inaugurado em 1892 e que tem levado como missão a promoção da Cultura. Para o dia 18 de Novembro os dois fadistas vão também eles continuar com a responsabilidade e missão de promover e defender o Fado, património da humanidade. Os fadistas já se conhecem bem e tecem elogios mútuos. Vozes de diferentes gerações, mas com o mesmo propósito.

Carlos do Carmo
Um espaço emblemático que celebra os 125 anos. Como surgiu o convite para o Carlos e a Raquel encerrarem as comemorações do Campo Pequeno?

O convite surgiu diretamente da administração. Nunca dei nenhum concerto no Campo Pequeno, mas já fiz duas ou três participações. Apesar de nunca ter feito nenhum concerto é um espaço que me trás recordações. É uma praça de toiros onde eu ia quando era adolescente com o meu pai, assistir a corridas de Toiros. O meu pai era aficionado e eu ia com ele…traz boas memórias…

Já não é a primeira vez que vai cantar com a Raquel Tavares. Como foi a escolha do vosso repertório para este espetáculo? (Risos).
Ainda está para fazer! Vamos encontrar-nos, conversar e discutir o modo como vamos fazer as coisas. Eu gosto muito da Raquel, é uma rapariga muito particular. Uma excelente fadista e uma boa companheira de trabalho. A última vez que cantei com ela foi no Rio e em São Paulo, e foi uma super companheira. Sabe cantar o fado percebe muito de fado. É uma pessoa com grande respeito pela velha geração. Isso é muito gratificante porque eu também fui educado no fado a respeitar a geração anterior à minha.

O fado acompanha-o desde a sua infância, como acha que tem sido a evolução?
Nós temos hoje uma possibilidade de in- formação que não tínhamos. O facto de existir um museu do fado, muito bem dirigido, significa que, nós, fadistas, temos ali uma casa. Isto é um dos casos. O outro caso, é que com muita coragem e vontade de uma equipa
grande, fadistas e académicos, conseguimos a consagração do fado como património da humanidade. Pessoas como eu trabalharam pro bono, porque desejávamos que assentasse qualquer coisa. Mas temos de continuar a investigar, a trabalhar e a aprofundar. Prevejo que iremos passar um momento mais complicado, o fado tem ciclos na sua história. Neste momento estamos perante um fenómeno que é moda, mas isso tenho algum medo. Mas há fadistas na nova geração muito sólidos, sabem cantar o fado, sabem defender o fado, e que se entregam de alma e coração.

O que é para si o Fado?
O fado, na minha opinião pessoal, é uma expressão popular dos sentimentos e, portanto, não funciona se não houver uma grande entrega. Canta as palavras, as palavras devem ser belas, se não forem belas não tem sentido, devem ser positivas.

Durante a sua carreira ganhou vários prémios, houve algum com signi cado mais especial?
Eu ao contrário de muitas pessoas que dizem que não gostam de receber prémios, eu acho que o prémio representa um reconhecimento do nosso trabalho. Talvez o Grammy Latino, mas por uma razão especial e não só pelo facto de representar um prémio que tem a ver com 900 milhões de pessoas. Por ser um momento especial na minha vida profissional, convidei a minha família toda, foram os meus filhos, os meus netos, e realmente foram uns cinco dias muito bem passados. Viveram intensamente o prémio do avô, o prémio do pai.

O que podemos esperar de Carlos do Carmo para o futuro?
Estar vivo é um projeto que eu tenho, se for possível. Diz-lhe isto um homem que já teve vários problemas de saúde. E dentro do que estiver ao meu alcance poder ser útil nas causas em que acredito.


Raquel Tavares

É um espetáculo especial que celebra os 125 anos do Campo Pequeno. Como surgiu este convite?
O convite chegou-me através do meu manager por convite da direção do Campo Pequeno que teve a ideia de criar um concerto único para a celebração desta importante data. Aceitei de imediato, sem hesitar. Aliás, não podia ser de outra forma…

O que podemos esperar do concerto dia 18 de novembro?
Um grande concerto, um grande momento, único. Vou cantar alguns dos meus fados mais conhecidos e estou a preparar algumas surpresas.

Como foi escolher o repertório com Carlos do Carmo para este grande concerto?
É uma honra e um privilégio cantar com o Carlos do Carmo. Ainda estamos em conversas para decidir o repertório, nada é definitivo. Com tanto talento na obra do Carlos, a escolha será difícil… Vamos surpreender! Só vão saber no próprio dia…

Qual é a sensação de partilhar um palco com Carlos do Carmo?
É sempre um sonho e uma sensação de grande alegria e orgulho estar no mesmo palco com um dos maiores fadistas de todos os tempos. Já partilhámos o palco várias vezes, e é sempre uma grande emoção. Estou a contar os dias para voltarmos a estar juntos.

Quais são os seus projetos futuros?
Muito em breve será lançado o meu novo disco. Será ainda este ano. Também é uma grande surpresa! É um disco que me toca profundamente no coração. Estou muito entusiasmada para começar a dar a conhecer este novo trabalho.