The Portuguese, a comédia musical, promete encantar tanto portugueses como turistas com a história de Portugal. Vai estar nos próximos meses à terças, quintas e aos sábados no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa. Fomos conversar com Ana Brito e Cunha, encenadora, que nos explicou porque vieram para ficar.

Texto: Pedro Paulos

Parece que o The Portuguese está bem consciente deste fluxo de turismo em Portugal.
Muito consciente. Foi por isso que viemos, e viemos para ficar.

Esta peça foi escrita pelos autores do Conversa da Treta, Filipe Homem Fonseca e Rui Cardoso Martins, a pensar nos turistas.
Isto é uma encomenda. Vem de 2 amigos. Imagina, recebi este telefonema um dia: “Queremos investir na cultura em Portugal”, e eu ajolhei-me aos pés de Nossa Senhora e disse: não é possível. (risos) Daí a umas reuniões, a juntar um grupo. Eu disse: “Olhem, posso tentar juntar o melhor grupo”. E houve um deles que disse: “Eu via-os muito com a minha família. Gosto de ir ao teatro, gosto de ver espetáculos. E há muitos países onde há espetáculos sobre a sua história. Nós temos uma história inigualável e não temos nada. E cada vez temos mais turistas, os nossos turistas são novos, temos investidores novos neste país, adoro levá-los às casas de fado mas a certa altura esgota-se porque eles voltam e voltam”. E aí surge fazermos um espetáculo para os turistas. Que tipo de espetáculo, não é? Onde chegamos à comédia. À comédia músical por ser uma linguagem universal. Onde chegamos ao Filipe Homem Fonseca e ao Rui Cardoso Martins. Onde depois começa-se a desenrolar todo um fio onde a Sónia Aragão se junta para fazer encenação, fazemos um trabalho de equipa. Depois houve muita gente que entrou e saiu na equipa, isto durou tantos anos, tanto tempo. Os melhores estiveram connosco, os melhores tiveram que ir embora, e os melhores entraram. Porque nós somos um país rico em talentos criativos, em trabalho de produção. E aí junta-se a nós o Plano 6, junta-se o Artur Guimarães, junta-se o Dino Alves e o Rui Filipe Lopes e o Colin, que faz as coreografias. Começou-se a juntar e a juntar a equipa e cá estamos, ao fim destes 2 anos e tal, a estrear nesta sala maravilhosa e tão acolhedora.

E em que é que consiste o The Portuguese?
A cima de tudo viajamos ao coração dos Portugueses, eu acho que é o mais certo. Isto é uma viagem à essência dos portugueses. Àquilo que nós somos. Quem é que nós somos? Somos os aventureiros. Somos uns tarados porque nos atiramos para a frente de batalha como se não houvesse amanhã, na loucura e sem pensar. Somos acolhedores, gostamos de receber. Gostamos de dar de comer. Temos a saudade intrínseca em nós e o fado é a nossa linguagem, e também a contamos. E, acima de tudo, temos um espírito que não há cultura nenhuma do mundo a não ser na nossa, que é um espírito de desenrasca como ninguém. Nós temos a capacidade de desenrascar situações problemáticas como se tivessem sido organizadas da melhor maneira.

Em cima do joelho.
Em cima do joelho. E isto sem ser depreciativo. Antes pelo contrário, é bastante positivo. Porque ainda para mais fazemos com o sorriso e com o orgulho como quem perde a asa e está aqui para mostrar tudo. Claramente, o que utilizamos para contar isto? A nossa história. As nossas figuras históricas, aquelas que são mais marcantes. Foi muito, para 1 hora e 20 minutos, escolher o que é que contamos, de quem é que falamos e o que é que vamos dizer. Foi muito díficil.

Escolher o que é mais importante, não é?
O que é que é mais divertido, o que é que daria maior entretenimento, o que é que o público reconhece mais. O que é que eles reconhecem?! Porque há estrangeiros para tudo: há estrangeiros que conhecem a nossa história e há outros que nem estão aí para a nossa história e só querem da nossa comida e das nossas praias, temos que agradar a gregos e troianos.

Também são boas essas duas coisas.
Também são óptimas! (risos) Mas temos que agradar a todos.

Por isso é que acabam também por utilizar músicas estrangeiras.
Sim, essa foi uma opção tomada logo inicialmente, utilizar músicas que o publico mundial reconhece. Tentar aportuguesá-las um bocadinho. Ou não, mas temos uma padeira de Aljubarrota fã das Spice Girls. Sabe as letras todas. (risos)

A padeira de Aljubarrota tem Girl power!
Exactamente. Ela diz: “Good girls go to heaven, bad girls wherever they like”. (As boas raparigas vão para o céu, as más vão para onde elas quiserem) Mas, acima de tudo, não quisémos excluir os portugueses, e qualquer português que um turista veja e se identifique. Encontra-se com o D. Afonso Henriques e com a mãe no metro. O D. Sebastião está perdido no Rossio. Mas eu sempre acreditei que os portugueses iam gostar muito de ver este espetáculo. Sempre fui apologista disso.

Parece que a ideia por detrás desta peça é que seja como na Broadway, onde ficam muitos anos em cena.
Essa é a ideia. Isto vai ficar, viemos para ficar. Porquê sair? Os turistas estão sempre a vir. Eles estão sempre a chegar. São cada vez mais. Adoraram-nos. Nós adoramos recebê-los. Então vamos dar-lhes um bocadinho de entertainment e daquilo que nós somos.

Isto é daquelas entrevistas que daqui a 10 anos podemos confirmar: “Ela tinha razão afinal”.
(risos) Deus te oiça. Eu acredito que temos produto para isso. Temos um elenco maravilhoso que canta, representa e dançam, ainda por cima. Uma banda fantástica, que os acompanham, sobre a batuta do António Andrade. Temos uma equipa técnica com um amor e com uma vontade de melhorar a cada dia e fazer cada vez mais. Esta loucura de termos um led wall no teatro, de criar em multimédia. É um desafio enorme a cada dia.

É um grande investimento.
É um grande investimento e é um investimento que vai ter de ficar. (risos)

Já estrearam no ínicio de Janeiro, estão cá os turistas?
Já começaram a vir. Isto não é a época alta. Mas isto também foi planeado, faz parte do projecto. Faz parte do processo e da proposta. Nós temos que experimentar, nós temos que ver. Nós temos que fazer chegar, de uma forma suave, para perceber se está certa. E para ficar. E eles vão vindo. É engraçado, hoje já tínhamos muitos estrangeiros na sala a rir. É muito agradável. Mas ainda estamos em afinações, em pequenos acertos. Embora o público não note essas coisas, somos nós na parte do backstage que estamos sempre a querer melhorar um bocadinho. Mas há um esforço muito grande, há uma dedicação muito grande, há um amor muito grande em cima deste palco. E isto para os portugueses é a aula de história mais marada que alguém podia ter na vida.

Os nossos leitores são sobretudo portugueses, será que um português vem cá ver a peça? Tem que perceber de inglês ou gostar de música?
Vai adorar.  As duas coisas, mas mesmo assim não tem que perceber muito de inglês porque vai reconhecer tão facilmente as figuras históricas, vai perceber logo. É um inglês muito fácil. Nós não fizemos isto para a parte de trás do cérebro de ninguém. Isto tem que dar para toda a gente. Para todas as nacionalidades. Isto que chegar a crianças, adultos e velhotes. De qualquer forma, a partir da próxima semana vamos ter legendagem, portanto estão todos incluídos.

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