Os The Gift chegam ao Coliseu Porto, dia 2 de março, para apresentar “Altar”, o tal disco que foi gravado com o reputado Brian Eno. Um disco que os transportou para novos voos. Apresentam-no por todo o mundo. Sónia Tavares conversou com a Ticketline para nos falar do que podemos esperar deste concerto.

Texto: Pedro Paulos

O Altar está a fazer 1 ano. Como é que foi este ano para os The Gift?

Está a fazer 1 ano mas já tem bastante mais tempo que isso. O disco já estava praticamente pronto já há algum tempo e nós demorámos pelo menos 2 anos a fazê-lo. As canções para nós já não são novas. Mas este ano foi de facto o ano de apresentação do Altar, para o mundo inteiro, não só para Portugal. E correu muito bem. No final do ano fizemos um balanço e foi extremamente positivo, estamos com as melhores críticas nas melhores revistas internacionais. Estamos a passar nas rádios independentes em todo o mundo. Logo isso para nós é um ganho. Claro que o público português, ainda habituado a canções um bocadinho mais antigas, tem começado a reagir – depois do Verão – muito bem também com o apoio da rádio a este novo ‘Altar’. Portanto, na realidade foi um ano de apresentação, vá lá. O intenso, a tourné, começa este ano a sério.

E continuam a achar que este disco é o vosso melhor, depois de o terem tocado tantas vezes?
Nós sempre que fazemos um disco achamos que é o melhor disco. Não faria sentido fazer um pior que o anterior. Mas, por todos os motivos e mais algum, consideramos este o melhor. A experiência foi única e foi fantástica pelo facto de termos o Brian Eno, não só a produzir mas a escreve-lo também connosco. E o Flood nas misturas, que também é um grande nome da música (e já trabalhou com nomes como os U2, Depeche Mode ou The Smashing Pumpkins). Contámos com estas 2 personagens fantásticas. Só por aí a experiência foi a melhor delas todas. Não sei se será o melhor disco dos “The Gift”, mas o nosso melhor momento é de certeza absoluta.

E acaba por ser o melhor momento ao fim de 20 anos de discos e 23 de carreira. Este disco acabou por celebrar isso mesmo.
Sim, celebrar a nossa música. Mas, sobretudo, celebrar este momento e esta experiência única que foi gravar este disco.

Acaba por ser uma celebração que ainda vos leva mais longe.
Exacto.

Uma pessoa quando cria uma banda nunca imagina como é passar 23 anos com as mesmas pessoas. Como é que foram estes anos?
Não, de facto não. Passaram rápido, na realidade. Olhando para trás, foi um instante. Apesar de terem acontecido milhares de coisas e termos viajado a sítios onde nunca imaginámos. Quer dizer, podíamos ter imaginado quando tínhamos 17 anos e nos juntámos pela primeira vez para fazer meia dúzia de canções, como é evidente. É uma vida. Acabamos por lidar com estas pessoas uma vida inteira e são elas a nossa família e, na realidade, estão num lugar onde mais ninguém está porque para além de colegas de profissão são, efectivamente, os meus irmãos. Os meus melhores amigos. As pessoas com quem eu posso contar dia e noite. E acho que isso também tem ajudado a passar estes 20 anos. O facto desta amizade continuas assim tão preciosa. Acho que é o que tem, acima de tudo, feito com que nos tenhamos mantido tanto tempo e com tantas coisas, não só positivas mas também tristes, negativas e desencantos. Esta vida não são só purpurinas e gargalhadas, antes pelo contrários.

Mas pronto, estamos num período bom. Vamos lá falar de coisas boas.
Estamos, desculpa! É a minha costela portuguesa.

É o fado!
É o fado, é o fado. (risos)

Vamos voltar a este concerto. Quando perguntaram ao James Brown se ia tocar as suas melhores músicas num concerto ele respondeu que “o melhor do James Brown ainda está para vir”. Vocês sentem o mesmo?
(risos) Não sei! Acho que não. Porque o melhor de nós é este momento em que estamos a viver finalmente as recompensas daquilo para que trabalhámos estes 20 anos, não é? E, pelo menos, a força de vontade é de “eu sei que vai ser melhor”. Se vamos estar melhores ou piores com o próximo disco, não faço ideia. A força de vontade que temos agora é a força de continuar. E as alegrias que tivemos no ano que passou com certeza que fazem com que nós estejamos pelo menos com vontade de passar melhor os tempos que por aí se aproximem.

Este disco, que demorou os tais 5 anos a sair, acabou por ser promovido na Holanda, Estados Unidos da América e muitos outros países. É este o caminho que vai ser celebrado nestes concertos?
Nós vamos estar efectivamente muito tempo fora este ano. Obviamente que este concerto aqui no Coliseu vai celebrar estes 20 anos, os concertos lá fora serão mais sobre o ‘Altar’. Cada vez que se faz uma data desta não se celebra só o disco que se está a promover, acho que se celebra com os fãs um bocadinho aquele regressar às origens e fazer uma viagem através dos tempos que vivemos por cá. Nós sabemos que este concerto é para aqueles fãs que estão connosco desde 1998. A ideia é celebrarmos juntos.

COMPRAR