A Monolith Tour, dos Thirty Seconds to Mars, tem duas paragens em Portugal: Braga, a 11 de setembro e Lisboa, no dia seguinte. dois concertos para apresentar o álbum mais recente da banda, “America”.

Quem tem testemunhado a atuação dos Thirty Seconds to Mars na tournée Monolith Tour compreenderá as declarações de Jared Leto que recentemente admitia custar-lhe mais abandonar a música do que o cinema, apesar de ter ganho um Óscar pelo seu desempenho no filme “O Clube de Dallas”. Quem o tem visto ultimamente em palco, percebe-o na perfeição. Jared transforma cada canção numa oportunidade para envolver e contagiar o público. Tem sido frequente, nesta tournée, o vocalista chamar público para o palco no final do concerto para dançar junto aos irmãos Leto.

As roupas largas, o cabelo esvoaçante e uma gestualidade aparentando o sacerdotal, emprestam a Jared uma aura de rock star messiânico, sobretudo quando canta “Rescue Me”, uma das músicas mais emblemáticas do último álbum, “America” (apresentado nesta digressão), como se fosse uma espécie de hino salvático. Trata-se de uma canção sobre dor, sofrimento, fé e liberdade, temas em torno dos quais o trabalho da banda tem gravitado nos últimos tempos.

Nada que espante numa banda cujo trabalho se caracteriza por enérgicas atuações ao vivo, experimentalismo musical de inspiração múltipla, e pelo uso de uma linguagem simbólica, filosófica e espiritual nas suas letras. Esta digressão mundial que começou em março, na Suíça, e termina, em outubro, no México contabilizará, no final, 93 concertos, dos quais 49 na Europa. Em Portugal, a banda atuará no Forum Braga e na Altice Arena, nos dias 11 e 12 de setembro, respetivamente.

Nos concertos de Braga e Lisboa, o público pode esperar ouvir temas do novo álbum, como “Walk on Water” ou “Great Wide Open”, mas também se ouvirão faixas de álbuns anteriores, como “Do or Die” (de Love Lust Faith + Dreams).

A verdade é que a banda conta já com 20 anos de existência. Criada em Los Angeles em 1998 pelos irmãos Leto, a sua composição foi variando ao longo dos tempos. Atualmente, os únicos elementos fixos dos Thirty Seconds to Mars são Jared (voz, guitarra e teclas) e Shannon Leto (bateria e percursão), depois da saída, em março deste ano, de Tomo Milicevic, que terá interrompido a tournée por razões pessoais, vindo a anunciar oficialmente a sua saída do grupo, em junho.

O álbum de estreia, “30 Seconds to Mars”, data de 2002. Produzido por Bob Ezrin, que trabalhou com Lou Reed, Peter Gabriel, Pink Floyd e Deep Purple, entre muitos outros, foi bem recebido pela crítica, embora o sucesso comercial tivesse sido bastante diminuto.

O álbum que catapultou o grupo para o estrelato Mundial foi “A Beautiful Lie”, de 2005. Seguiram-se “This is War” (2009), “Love, Lust, Faith and Dreams” (2013) e “America”, em 2018.

Editado em abril, este último álbum (o primeiro lançamento em cinco anos) é descrito como conceptual e explora temas como a política, o sexo e a fama, tendo representado uma mudança drástica de estilo da banda, que passou do rock alternativo para uma estética mais influenciada pela pop. Dois concertos que prometem ficar na agenda dos mais marcantes do ano.

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