A Culturgest celebra, este ano, 25 anos de existência. Ao longo de um quarto de século, somaram-se peças, concertos, espetáculos de dança e exposições performativas que posicionam esta sala como uma das referências da arte portuguesa. A Ticketline esteve à conversa com o Mark Deputter, o novo diretor artístico, que apresentou um cartaz, para nova temporada 2018-2019, recheado de ofertas para todos os gostos.

A Culturgest tem um novo diretorcartístico, uma nova imagem, um novo site e uma nova programação. O que motivou estas mudanças e quais são os objetivos que esperam concretizar?
A Culturgest abriu as portas em 1993 e, ao longo dos últimos 25 anos, tem sido uma referência na produção e programação da criação contemporânea nacional e internacional. A aposta na inovação artística está no ADN da instituição e define de forma decisiva a sua atividade. Deste ponto de vista, a nova programação será, em primeiro lugar, uma continuação. Ao mesmo tempo, a chegada de uma nova direção era um momento natural para introduzir algumas inovações, das quais a nova imagem e o novo website saltam imediatamente à vista. O novo site procura sobretudo oferecer uma experiência mais rica e atraente ao utilizador, diversificando os conteúdos e aumentando a interatividade. A nova imagem procura evidenciar a riqueza e diversidade da programação da Culturgest numa linguagem visual assertiva e atraente. Penso que este investimento na comunicação poderá ajudar-nos a aumentar o número de público, que é um dos grandes objetivos.

Mark Deputter, Diretor Artístico da Culturgest

O cartaz para a temporada 2018- 2019 está recheado de espetáculos muito abrangentes na sequência de uma temporada “assumidamente multidisciplinar”. Criar uma agenda capaz de chegar a públicos diferentes foi uma preocupação da Culturgest para este novo ano?
Para além da contemporaneidade, a multidisciplinaridade é a segunda caraterística fundamental da Culturgest. Quem conhece a Culturgest está habituado a uma programação de qualidade em áreas tão diversas como teatro, dança, música, artes visuais, cinema, conferências e projetos para escolas e famílias. Mas não deixa de ser algo extraordinário, num mundo que aposta cada vez mais na especialização extrema. Queremos assumir a programação multidisciplinar como um trunfo e aproveitá-la para enriquecer a experiência dos nossos visitantes e espectadores. Aqui existem muitas oportunidades para cruzar vários públicos.

Existem mais espetáculos que procuram a participação do público. Qual é a importância de envolver a audiência com os vossos espetáculos de forma mais ativa?
Assumimos a participação como um novo pilar da programação da Culturgest. Por um lado, há cada vez mais artistas que procuram uma interação mais rica com o público, convidando os espectadores a assumir um papel mais ativo na criação e apresentação das suas obras. Por outro lado, a Culturgest como instituição também procura diversificar as formas de relacionamento com a sua programação. Há várias maneiras de nos relacionarmos com uma obra de arte, desde a atitude contemplativa à participação ativa, e pensamos que deve haver espaço para esta diversidade. Sobretudo os jovens tendem a gostar mais de uma interação imediata e ativa. É também uma maneira de cativar estes públicos.

Há espetáculos com estreia europeia na Culturgest e outros que já estiveram em célebres palcos, um pouco por todo o mundo, e que colocam agora Portugal no seu roteiro. A Culturgest é, neste momento, uma das grandes referências da arte em Portugal?
Para além da contemporaneidade, da multidisciplinaridade e da participação, a internacionalização é a quarta característica basilar da nossa programação. Durante muitos anos, a Culturgest usou a assinatura “Uma Casa do Mundo” e esta promessa tornou-se de tal forma evidente que já não é preciso dizê-lo. Sem ser, obviamente, o único centro cultural com uma programação contemporânea internacional, a Culturgest tornou-se realmente uma referência a nível nacional. É uma posição que queremos manter e fortalecer porque a relevância de uma programação nunca é um dado adquirido e requer uma atenção e renovação constantes. O tecido cultural sofreu um duro golpe com a crise e os resultados negativos dos cortes orçamentais perduram. Neste contexto, é particularmente difícil manter-se de pé num mercado internacional muito competitivo.

A Culturgest celebra 25 anos durante esta nova temporada. O que está preparado para celebrar o grande aniversário?
As celebrações do 25.o aniversário coincidem com o início de um novo capítulo na Culturgest e, neste momento particular, parece-nos natural olhar para o futuro. Assim, o programa dos 25 anos tornou-se uma espécie de “best of” em todas as áreas de programação. Na dança, apresentamos uma obra extraordinária, Os Seis Concertos Brandeburgueses da coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker e da maestrina-violinista francesa Amandine Beyer. Este projeto junta 18 bailarinos da célebre companhia de dança Rosas e 21 jovens músicos da orquestra barroca B’Rock Orchestra, para uma interpretação coreográfica da versão integral dos Brandenburger Concertos de Johann Sebastian Bach. A peça será apresentada nas salas mais prestigiadas do mundo, como os Berliner Festspiele, a Ópera de Paris, Saddler’s Wells em Londres e a Brooklyn Academy of Music em Nova Iorque. É uma oportunidade única poder ver este trabalho aqui em Lisboa. Na música, conseguimos seduzir o famoso compositor e músico canadiano Tim Hecker para fazer o lançamento europeu do seu novo trabalho Konoyo aqui na Culturgest. No repertório diversificado do Hecker, é um acontecimento de especial relevância porque a obra nasce da confluência com a música tradicional japonesa gagaku e será apresentada com um ensemble gagaku em palco. Um grande nome do pensamento contemporâneo, o filósofo camaronês Achille Mbembe, apresenta a palestra Para um Mundo sem Fronteiras, numa das análises mais lúcidas e influentes do atual mundo pós-colonial e multicêntrico. As suas teses encontram ressonâncias fortes no trabalho do artista franco-argelino Kader Attia, que se apresenta na Culturgest com a sua primeira exposição individual em Portugal. Po último, há um grande projeto participativo, o Bal Moderne, que, este sim, já passou várias vezes pela Culturgest, sempre com uma adesão entusiasta por parte do público.

Próximos eventos:

TIM HECKER + THE KONOYO ENSEMBLE

BAL MODERNE

OS SEIS CONCERTOS BRANDEBURGUESES

KATIA GUERREIRO & ORQUESTRA CLÁSSICA DO SUL

JAMES HOLDEN & THE ANIMAL SPIRITS

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